[[legacy_image_149900]] A baixa hospitalização em relação às outras etapas da pandemia da covid-19 prova que a vacinação completa e com reforço é fundamental para barrar o avanço da variante Ômicron e provavelmente sua subvariante (que ainda está em etapa inicial de investigação, mas que já registra casos no Brasil, inclusive São Paulo). Contudo, há algumas vulnerabilidades no programa de imunização e um deles, conforme A Tribuna publicou na quarta-feira, é o pediátrico. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo apurado pela Reportagem, a aplicação do imunizante contra a covid-19 na faixa dos cinco aos 11 anos atingiu 46,24% (levantamento da última segunda-feira) desse público na Baixada Santista, inferior aos 50% já registrados pelo Estado. Na região, as cidades que não chegaram aos 50% são Bertioga, Itanhaém, Peruíbe, São Vicente e Guarujá, que tem o pior resultado, com 32%. Cubatão, Mongaguá, Praia Grande e Santos vacinaram mais da metade de seus contingentes de crianças dos cinco aos 11 anos. Apesar das crianças serem mais resistentes à covid-19, elas também podem apresentar sintomas graves ou evoluírem para morte. No Rio de Janeiro, segundo o infectologista pediátrico da Universidade Federal Fluminense (UFF) André Ricardo Araujo da Silva, um estudo preliminar indicou o aumento de internações abaixo dos 12 anos. O dado corrobora os alertas de que o coronavírus busca grupos desprotegidos, até os antes menos visados, para se disseminar. Vale reforçar que, em algumas UTIs, os não vacinados de todas as faixas etárias correspondem a 80% dos leitos de covid-19 ocupados. No Brasil, a vacinação completa acabou de ultrapassar os 71% (todas as faixas etárias a partir dos 5 anos), mas ela cai abaixo de 45% no Amapá e Roraima e não atingiu 60%, por exemplo, no Maranhão e em Alagoas. Além disso, a dose de reforço está com aplicação ainda muito baixa, de 33% dos maiores de 18 anos. Com essas vulnerabilidades com crianças, nos estados ao norte e entre descuidados e negacionistas, há o perigo real de uma nova explosão do coronavírus e até do desenvolvimento de cepas resistentes. A vacinação pediátrica começou há quase um mês, mas poderia estar muito mais avançada se o Ministério da Saúde não tivesse postergado o início da campanha, lembrando que o presidente Jair Bolsonaro se manifestou contra os imunizantes infantis e fez críticas aos diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O ministério realizou uma audiência pública para discutir a necessidade da imunização, um tema que já era de domínio e consenso na ciência, dando munição aos movimentos antivacina e levando desinformação aos pais. O atraso bagunçou no início a logística da distribuição das doses pelo País e as prefeituras agora precisam correr, principalmente porque os estudantes retornaram às aulas, sendo necessário também proteger funcionários e professores das escolas.