(Adobe Stock) As novidades da inteligência artificial (IA) têm fascinado os cidadãos comuns com aplicativos com essa tecnologia e animado as empresas em geral pelo potencial de produzir muito mais com menos. Entretanto, a superexpectativa com ganhos, tanto por quem investe em ações relacionadas a esse fenômeno como seus executivos, atingiu níveis estratosféricos, com analistas e investidores falando cada vez mais em bolha. Caso isso aconteça, o Brasil não vai escapar devido à conexão entre os mercados acionários e à pretensão do País de atrair parte dessa cadeia, via data centers e terras raras. Os avanços esperados são tão formidáveis que fabricantes dos chips de IA, como Micron, AMD e Intel, valorizaram-se na Nasdaq (Bolsa das empresas de tecnologia) mais de 100% em apenas 40 dias, em maio e junho. Essas altas foram puxadas pela necessidade de componentes por grandes companhias que vão construir infraestrutura de IA. Google, Microsoft, Amazon e Meta vão investir US\$ 600 bilhões para esse fim. Esse valor equivale a um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Observando-se essas empresas no mercado acionário, o avanço desse segmento de IA é avassalador sobre outros setores que competem por capitais. A disparada recente dessas companhias na Nasdaq foi tão acentuada, que tirou recursos das bolsas dos países emergentes, como o Brasil, e dos fundos que investiram em bitcoins. Apesar dos mais entusiasmados com eventuais lucros, parte do mercado financeiro está desconfiada. A dúvida é se, após a drenagem de tantos bilhões de dólares para empresas de tecnologia, os lucros realmente sairão do papel. Isso porque as desenvolvedoras de IA, como OpenAI (ChatGPT), Anthropic (Google) e SpaceX (de Elon Musk) são startups e não negócios consolidados, e terão que mostrar faturamento e lucro à altura do esperado. Mas os investidores começam a dar sinais de impaciência. Além disso, o governo americano aumentou a pressão sobre esse setor, indicando mais regulação e vontade de migrar parte desse conhecimento para o setor militar. Outra frente governamental teme impactos muito cedo na sociedade, como demissões em massa. Tais movimentos indicam uma predisposição de interferência nos negócios, algo temido pelo setor. O Brasil é uma grande promessa como fornecedor de infraestrutura de IA, com muita energia renovável para abastecer data centers. Por outro lado, tem insumos, os minerais críticos, do nióbio, níquel, lítio e cobre às terras raras. São investimentos que o País ainda não consegue fazer por conta própria, mas que o Governo Lula tenta deslanchar com acordos externos e projetos da Vale e Petrobras. Mas fica o risco dessas oportunidades serem atropeladas por uma crise financeira mundial de IA, lembrando que a febre com a internet, a partir do fim do século passado, teve sua bolha estourando no ano 2000.