A derrocada do dólar, que na última segunda-feira ficou abaixo da marca de R\$ 5,00, fechando em R\$ 4,99, ajudará o Brasil a enfrentar a inflação resultante da guerra no Oriente Médio. A fraqueza da moeda americana é mundial, com a decisão dos investidores internacionais de buscar a diversificação – reflexo das incertezas estimuladas pelo presidente Donald Trump. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Trata-se de uma grande ajuda do lado financeiro frente aos efeitos da disparada do barril do petróleo tipo Brent, que subiu de US\$ 60 no começo do ano para US\$ 100, alta de 67%. Além do preço, o conflito ameaça a oferta de combustíveis, com o fechamento do Estreito de Ormuz, que, mesmo que seja resolvido agora, deixará dúvidas no ar. Na Europa e Ásia, as companhias aéreas já começaram a cortar voos e a aumentar as passagens. No Brasil, profissionais do turismo afirmam que os bilhetes da aviação subiram 30%. No agronegócio, fertilizantes mais caros poderão reduzir a oferta de alimentos e inflacioná-los. Portanto, o problema do Brasil com essa guerra não se resume apenas ao diesel, com o governo adotando o paliativo das subvenções para contornar a subida desenfreada. Por enquanto, ainda não é possível saber até que ponto o dólar funcionará como um amortecedor contra essa crise. Primeiro, porque muitas incertezas ainda rondam o petróleo, que poderá cair se a guerra acabar, mas não para os US\$ 60 no curto prazo. Isso porque a oferta foi interrompida por ataques e pela suspensão da navegação dos petroleiros, e a normalização levará alguns meses, considerando que o pior já passou. Neste ano, até a última segunda-feira, a moeda americana desvalorizou 8,96%. Além do enfraquecimento mundial da divisa, a queda no mercado doméstico tem relação com o ingresso constante de capital estrangeiro no Brasil. As exportações são prejudicadas pela valorização do real, mas elas seguem fortes, principalmente do lado do petróleo. Com o Brasil se tornando um grande e estável fornecedor, a demanda pelo petróleo brasileiro aumentou, com o produto se consolidando como o principal item da pauta exportadora do País. Por outro lado, os juros altos são altamente atraentes aos estrangeiros, que entram no Brasil para comprar títulos de renda fixa com taxas de dois dígitos ou para adquirir ações de grandes empresas mais baratas que seus concorrentes internacionais. Nesse contexto geopolítico atual, o Brasil está em uma situação econômica inédita, com a dupla dólar-petróleo trabalhando pelo País. Bem diferente do que nos anos 1970 e 1980, quando ambos rareavam. O Brasil pouco exportava e não conseguia moeda externa para comprar petróleo, colaborando para piorar a tragédia da inflação e depois hiperinflação. Agora as ameaças à estabilidade econômica também são poderosas, mas medidas bem dosadas e certeiras, sem abusos eleitoreiros, poderão dar mais segurança aos consumidores e às empresas.