Foto ilustrativa (Freepik) Desde janeiro, o dólar caiu de R\$ 6,18 para atuais R\$ 5,44, um recuo de 12%. Considerando o primeiro semestre, de 118 moedas avaliadas pela agência Austin Ratings, 71 se valorizaram em relação à americana. Como o desempenho da divisa dos Estados Unidos se deu em meio às medidas radicais do presidente Donald Trump, cresceu a aposta na desdolarização. Dessa forma, governos, empresas, fundos e cidadãos passariam a fazer operações com outras moedas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No caso do Brasil, a discussão sobre um suposto fim da era do dólar chama a atenção após a evidente reação de Trump contra a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de criar uma moeda para as trocas do Mercosul, e mais recentemente, do Brics. Entretanto, há um consenso entre economistas de que o próprio Trump busca desvalorizar a divisa americana. Seria uma dupla vitória sobre as outras economias – além de cobrar tarifas de seus parceiros, os EUA tornariam seus produtos mais baratos no mercado internacional devido ao efeito da depreciação de sua divisa. Além disso, o país continuaria com a vantagem financeira e até geopolítica de deter a principal moeda, até que apareça alguma para superá-la. Trata-se de um jogo arriscadíssimo, com perdas inclusive para os outros países. A vantagem do dólar é que ele está associado à economia mais forte e estável do mundo, sendo utilizado como reserva de valor (proteção contra a inflação e desvalorização das outras moedas). O dólar tem seu vigor sustentado na força das instituições do país. O problema é que Trump tem feito ataques sistemáticos a elas, como pressionar o Judiciário, o Federal Reserve (Banco Central), o instituto de pesquisa de emprego, além de revirar todo o comércio mundial. Isso gerou uma série de incertezas, sendo a mais preocupante a inflação e outra delas a de que o Federal Reserve possa perder sua independência para controlá-la. Nos EUA, pesquisas já indicam altas dos preços dos manufaturados, faltando verificar o efeito tarifário sobre alimentos e serviços. No ano passado, os capitais migraram para os EUA para aproveitar os juros altos dos Treasuries, os títulos públicos mais seguros. Mas, neste ano, esse dinheiro passou a ser diversificado em outros ativos e mercados. Ouro e até bitcoin ganharam apelo, assim como moedas e bolsas dos países emergentes, inclusive Brasil, atraíram os investidores. Os economistas ainda não sabem se essa fase do dólar é passageira ou veio para ficar. Eles reforçam que euro, yuan, franco suíço, iene e até dólar australiano não são substitutos à altura por não darem conta do fluxo mundial no lugar da divisa americana. Com um eventual vazio, ouro e bitcoin, por serem escassos (não são emitidos por bancos centrais e expostos à inflação), poderiam virar ativos de proteção. Dessa forma, as relações econômicas seriam tomadas pela incerteza. Por isso, os analistas dizem haver muito risco embutido nas políticas de Trump.