[[legacy_image_267225]] A queda do dólar ao seu menor nível em 11 meses, na última terça-feira, para R\$ 4,88, reflete o saldo comercial que o Brasil tem conseguido manter, apesar da expectativa de desaceleração mundial, além da desvalorização internacional da divisa americana. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! As exportações do agronegócio seguem fortes, mas as importações não deslancham porque o crescimento do País continua pífio. Por outro lado, os juros altos atraem investidores estrangeiros, que procuram as taxas mais atraentes da renda fixa. Ontem a moeda subiu para R\$ 4,94, em meio a ruídos com a redução de preços da Petrobras, que interfere na disponibilidade interna do câmbio, e nas discussões sobre a regra fiscal, que limitará as despesas públicas. O substituto do teto de gastos, que proíbe a União de aumentar o uso de recursos federais de um ano em relação ao anterior (permitindo apenas embutir a inflação), tem efeitos na inflação e indiretamente, caso seja desrespeitado ou afrouxado, acabaria por estimular uma corrida ao dólar. Hoje, o Banco Central tem em reservas internacionais perto de US\$ 350 bilhões, que funcionam como um colchão de amortecimento contra crises. O País possui uma série de obrigações a cobrir, como pagar dívida externa, dispor o setor privado da moeda americana para que empresas e cidadãos quitem seus empréstimos lá fora ou ainda para suprir o turista que vai viajar, além dos pagamentos em dólar que os importadores precisam fazer. Com essa poupança do BC, não há risco de um especulador ou de uma operação de altíssimo valor causar uma corrida ao mercado pelo temor de falta da moeda e disparada do preço. A situação é bem diferente na Argentina, que tem reserva de apenas US\$ 34 bilhões, sendo que parte não pode ser utilizada imediatamente, para cobrir as obrigações externas diárias. Por isso, o governo costuma recorrer com frequência ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A fraqueza do peso é tão acentuada que um turista estrangeiro que comprar a moeda e depois tentar vendê-la terá prejuízo na certa. Dessa forma, o pacote lançado por lá nesta semana mira medidas que atenuam o impacto da moeda no dia a dia, como zerar tarifas e contar com o apoio do Brasil para obter empréstimos do Banco dos Brics, aliás, presidido por Dilma Rousseff. No Brasil, alguns economistas alegam que o País não deveria ter tantas reservas internacionais, pois elas ficam investidas em ativos de baixa remuneração (mas seguros, como papéis do Tesouro americano). Correntes do PT já sugeriram usar essa conta para fazer investimentos, em um sinal de rápido esquecimento do Brasil dos anos 1980, quando o governo ficava na iminência de não ter dólares para importar petróleo. Neste caso, os últimos governos, inclusive os dois primeiros de Lula, têm agido corretamente nesse campo, indicando que a política do improviso e da irresponsabilidade foi deixada de lado.