(Agência Brasil) Câmbio e inflação dominam as atenções dos economistas e o noticiário econômico, mas a dívida pública também precisa estar no centro das discussões. Isso porque ela segue crescendo aceleradamente devido aos juros elevados. Porém, eles não são a causa do problema – na verdade, os analistas os apontam como efeito. A origem dessa tragédia está no gasto estatal, necessário com saúde, educação e assistência social, mas que também embute o custo da burocracia, corrupção e ineficiência. Conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional na última quinta-feira, a Dívida Pública Federal atingiu R\$ 7,204 trilhões no mês passado, após aumentar R\$ 131 bilhões em 30 dias. Segundo o órgão, apesar do valor impressionante, ela não está descontrolada e segue dentro do esperado. Mas dessa expansão de outubro para novembro, R\$ 58,75 bilhões são juros dos títulos emitidos pelo governo. Esse valor equivale ao total gasto pela União com o Bolsa Família durante quatro meses, com base em reportagem da Comunicação Social do Planalto de fevereiro passado. Essa comparação mostra o peso do endividamento nas contas federais e o risco do seu crescimento comprometer investimentos importantes como esse programa, que atende 21 milhões de brasileiros. Uma forma de analisar a expansão do endividamento público é observar sua proporção em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Em média, essa proporção, que no começo do Governo Dilma estava pouco acima de 50%, agora se aproxima de 80%. A previsão, segundo economistas, é que ela continuará subindo, com risco de superar 90% e depois 100% até a próxima década. O PIB é a geração de riqueza pelo País durante um ano – na comparação com a dívida pública, isso significa que a cada ano o governo vai consumir uma parte maior das receitas da sociedade para pagar os juros. Para suprir essa necessidade, que não é coberta pela arrecadação de impostos, basta remunerar melhor os investidores. O efeito indesejado é que esse dinheiro deixa de ser investido pelo setor privado, além de fazer subir as taxas das linhas de crédito. É fácil concluir que o desenvolvimento do País ficará travado. O endividamento público não é um problema apenas brasileiro. O Japão é o líder mundial entre as economias médias e grandes, com proporção de 256% sobre o PIB, enquanto nos EUA é de 122% e na França, de 111%, segundo o portal Trading Economics. A diferença é que esses três países têm historicamente juros mais baixos, o que facilita a sustentabilidade de seu pagamento. Uma reportagem da CNN Brasil mostrou que o Brasil gasta o equivalente a 5,97% de seu PIB apenas com juros, enquanto o Japão destina 0,12%, os EUA, 3,02%, e a França, 1,68%. Portanto, seria importante acrescentar a dívida pública aos juros básicos, inflação e câmbio como grandes problemas e a serem resolvidos. É preciso ainda estabelecer uma meta anual de redução desse endividamento para que o País possa crescer de forma saudável.