Trump (78 anos) e Biden (81 anos) farão um debate televisivo inédito na história dos Estados Unidos (Isac Nóbrega/PR e Divulgação/Casa Branca) Com a tentativa de assassinato do ex-presidente americano Donaldo Trump, analistas cravam que ele será o vencedor das eleições em novembro. A análise se dá mediante as imagens após o tiro que atingiu sua orelha direita de raspão, sangrando e com o punho cerrado. Essa visão ganha força quando se lembra do fracasso do presidente Joe Biden no debate da CNN, com fileiras dos democratas e especialistas afirmando que o atual ocupante da Casa Branca não tem condições de permanecer na disputa. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Entretanto, não se pode concluir que a eleição está decidida, pois a divisão política do país é acentuada e o plano de governo antecipado por aliados de Trump é inadmissível para muitos americanos. Em um país construído por imigrantes, a ideia veiculada por trumpistas é a de deportação em massa como uma das medidas para resgatar uma potência em declínio, o que os indicadores atuais não comprovam. O país segue em crescimento moderado, o desemprego avançou fortemente e a inflação caiu a ponto de se avaliar a redução dos juros neste semestre. Apesar das propostas radicais, é possível que a reviravolta da eleição francesa tenha servido de alerta para a liderança republicana, de que o extremismo não ganha eleição. Essa impressão é corroborada pela imprensa americana, relatando esforço da Convenção Nacional Republicana de passar uma imagem moderada de Trump, que não é real. O encontro começou ontem e termina na quinta-feira, com o ex-presidente formalizando a candidatura. Analistas dizem que ele poderá discursar pregando a união nacional. Ele estaria assim rechaçando o que direitistas têm alardeado nas redes sociais, inclusive no Brasil, de que a esquerda tem relação com o atentado. Com uma fala acusatória, sem prova, parte-se para o pior, que é semear a violência na campanha eleitoral americana. Passada a superexposição de Trump, da sobrevivência ao atentado até o discurso triunfal, restará aos democratas mostrarem que estão no páreo. Não se sabe se Biden conseguirá convencer que tem condições de enfrentar um concorrente tão agressivo e agora mais competitivo. Parte do partido quer trocar Biden pela vice-presidente Kamala Harris, que terá pouco tempo para convencer a população de que está preparada para governar, mas que também, pelo prazo curto, poderá resistir à tentativa de desconstrução de sua imagem pelo trumpismo. O The New York Times divulgou ontem pesquisa na Pensilvânia e Virgínia, feita um dia antes do atentado, e Harris aparece entre um e dois pontos melhor situada que Biden. Trump vence contra ambos na Pensilvânia, mas perde em qualquer situação na Virgínia, por três pontos para Biden e cinco para Harris. Cabe a Trump aproveitar momento tão favorável. Aos democratas, caberá reforçar que as acusações de Trump contra imigrantes são descabidas e destacar que um eventual retorno dele à Casa Branca pode se tornar um risco à democracia.