(Alexsander Ferraz/AT) Com a afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que 2026, ano de eleições, já começou, o petista deixa bem claro que está tomado por esse ímpeto – assim como os adversários. Apesar de persistirem a violência urbana, rombo das contas, dengue e efeitos de seca, chuvas, incêndios e desmatamento, tudo indica que as medidas prioritárias serão as de potencial reflexo nas urnas. Depois de Lula mandar suspender o monitoramento do Pix, uma necessidade óbvia para enfrentar a sonegação, ele cobrou medidas para controlar os preços dos alimentos, ressuscitando temores de intervenção. Os programas de transferência de renda, principalmente na educação, foram acelerados, mesmo com a falta de dinheiro, que já paralisou o auxílio-gás – o governo prometeu resolver o problema, mas os R\$ 600 milhões previstos serão insuficientes para o ano todo, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Mas a cereja do bolo poderá ser a aprovação da isenção de Imposto de Renda até ganho mensal de R\$ 5 mil, que significa mais dinheiro no bolso, conforme projeto com efeito em 2026. As medidas favoráveis à população são bem-vindas, mas é preciso ter recursos para sustentá-las além das eleições. Analistas e autoridades do próprio governo dizem que as contas federais estabilizadas são a melhor forma de manter os benefícios. Mas falta convencer Lula a suportar a impopularidade de um freio de arrumação, que poderia dar alguns resultados no curto e médio prazos, evitando grandes traumas após 2026. As medidas com potencial de votos dependem do Congresso, e aí está o desafio para Lula. As eleições dos presidentes do Legislativo ocorrerão no próximo dia 1º. Surpresas não estão descartadas, mas na Câmara se espera vitória folgada de Hugo Motta (Republicanos-PB), com apoio do governo e da oposição. Mas isso não significa que haverá paz. O Centrão vem com tudo para retomar as emendas bilionárias, com o palpite de vários de seus integrantes de que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, age articulado com o Palácio do Planalto para cobrar transparência nos repasses. Não se tem certeza de que haverá vingança escancarada, pois notícias sobre desvios dos recursos e investigações começam a aumentar. Além de eventuais conflitos com o governo de tom apocalíptico de Donald Trump e com as big techs (gigantes da tecnologia), Lula deve continuar a sofrer com a artilharia da extrema direita nas redes sociais. Com o ingresso do publicitário Sidônio Palmeira na gestão petista e a contratação de especialistas nessas mídias, espera-se alguma reação. Lula deve tentar aprovar regras sobre moderação de conteúdo e verificação de dados, como freio à falta de limites e de ética no mundo virtual. Em meio a esse intrincado jogo de disputa pelo poder em Brasília, persiste o mundo real dos desafios do restante do País. Quem sabe a inflação se desacelera, o País se sai bem frente ao furacão Trump e a perda de ritmo da economia não vire recessão.