Antecipada em relação aos prazos estabelecidos, começou no dia 23 de março a vacinação contra a gripe H1N1 e influenza em todo o País. Trata-se da 22ª campanha anual promovida, agora com 75 milhões de doses, dividida em três fases: a primeira, voltada a pessoas com mais de 60 anos e profissionais da saúde; na segunda, que começa em 16 de abril, entram professores, profissionais das áreas de segurança e doentes crônicos; e na terceira, a partir de 9 de maio, serão vacinadas crianças de seis meses a menores de seis anos, pessoas com mais de 55 anos, gestantes, mães que deram a luz até 45 dias do parte, população indígena e portadores de condições especiais. O Ministério da Saúde e as autoridades municipais e estaduais alertaram corretamente a população que não se trata de vacina contra o coronavírus, mas insistiram bastante sobre a importância dessa imunização, uma vez que ela é forma de auxiliar os profissionais de saúde a descartar as influenzas na triagem e acelerar o diagnóstico do Covid-19. Além disso, é importante evitar que pessoas mais vulneráveis contraiam gripes que podem agravar mais ainda o quadro se a ele se somar o coronavírus. Como era de se esperar, houve resposta maciça da população, que procurou vacinar-se imediatamente. O esquema, porém, não funcionou como deveria. Em primeiro lugar, houve falta generalizada de vacinas nos diferentes locais, durante vários dias. Muitas pessoas saíram de suas casas mais de uma vez, contrariando a recomendação de isolamento social, e frustraram-se: não havia vacinas disponíveis nos postos relacionados. Compreende-se a dificuldade da operação logística para distribuição das doses em todo o País, mas talvez tivesse sido mais lógico e adequado adiar o início da imunização em uma semana, período em que as unidades básicas de saúde poderiam ter sido abastecidas, iniciando-se a campanha com estoque suficiente para atender à grande demanda. Algumas cidades anunciaram o sistema "drive thru", como em Santos, em que as vacinas são aplicadas em pessoas nos carros, sem contato direto com outras em filas e no deslocamento. Mas ele também falhou: nesta semana, a espera para vacinar-se no Mendes Convention Center chegou a duas horas, com automóveis se estendendo ao longo da Avenida Ana Costa, com desentendimentos e brigas com aqueles que tentavam, vindo das ruas transversais, furar a longa fila formada. A promessa que farmácias fariam também a vacinação não foi cumprida. Houve atrasos, perda de tempo, irritação dos idosos, e perigosa e inconveniente exposição nos trajetos e filas. Ressalte-se o esforço dos profissionais da saúde locais, ágeis no seu trabalho e orientando as pessoas na espera. Mas é forçoso reconhecer que o balanço dessa vacinação, até aqui, demonstra falhas e falta de planejamento.