[[legacy_image_335000]] Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o setor de serviços cresceu 2,3%em 2023, na comparação com 2022. Entretanto, um dos componentes da pesquisa, que considera apenas as atividades turísticas, indicou que este último avançou 6,9% na mesma base de comparação, conforme A Tribuna publicou ontem. Ainda que a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) tenha considerado esse desempenho modesto, trata-se de uma importante notícia para a economia brasileira. Além desse ramo ter relevante presença na Baixada Santista, ele gera empregos para a população de baixa capacitação, assim como atrai recursos para regiões mais carentes, como o litoral e interior do Nordeste, e partes do País que dependem quase que exclusivamente de uma ou outra atividade econômica. Nesses casos, a diversificação se torna um potencial fator de desenvolvimento para áreas que hoje vivem da mineração ou do agronegócio, muitas vezes em situação de subsistência. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Apesar do crescimento do turismo, é preciso observar com atenção que ele avança sobre bases de comparação deprimidas pelos anos mais agudos da pandemia, em 2020 e 2021. E também, nos últimos meses, em razão dos juros altos, houve a limitação da oferta de crédito para investimentos do setor e da contratação de pacotes pelos consumidores. A CNC lembra que o turismo, em 2020, perdeu dois terços de suas receitas apenas nos dois primeiros meses da pandemia. Na época, o transporte aéreo sofreu redução de 95% de seu fluxo de passageiros. Mas o setor turístico teme que o transporte aéreo se torne um gargalo para o crescimento. Primeiro, devido ao aumento de quase 50% no preço das passagens ano passado e, segundo, pela limitação das próprias companhias de aviação. Algumas já fizeram recuperação judicial ou foram socorridas pelos governos, como na Alemanha e em Portugal. São empresas que passam por ajustes e, no caso do Brasil, onde o mercado tem três grandes empresas, teme-se que uma reestruturação possa reduzir a oferta de voos para regiões de potencial turístico, mas que ainda não têm muita movimentação. Por outro lado, as fotos de viagens nas redes sociais e influenciadores dessa área têm ajudado a tornar conhecidas regiões turísticas alternativas. No mercado internacional, as companhias aéreas de baixo custo facilitam a vida dos turistas de orçamento reduzido. Há ainda um movimento de demanda represada que mantém uma razoável ocupação de hotéis e voos em um momento que a hotelaria e aviação precisam aumentar o faturamento para suportar os juros de dívidas bilionárias. Espera-se que o Ministério do Turismo demonstre capacidade de planejamento e visão para mitigar as dificuldades do setor, que ainda não é tratado no Brasil como uma importante atividade econômica geradora de impostos e empregos.