[[legacy_image_357050]] A queda de Jean Paul Prates da presidência da Petrobras encerra um período de fritura que parecia ter arrefecido após a crise dos dividendos extraordinários, mas que na verdade transcorria em silêncio. A troca de Prates pela engenheira Magda Chambriard, apesar de estar associada à briga com o ministro da Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem raízes na visão do Governo Lula, de protagonismo do Estado no desenvolvimento do País. Trata-se de uma receita antiga que eleva o gasto público e, consequentemente, dificulta o recuo dos juros, impondo a ineficiência de uma máquina estatal gigantesca sustentada por uma pesada carga tributária e fortalecendo a burocracia e o risco da corrupção. Por outro lado, reduz o fôlego de crescimento do setor privado, que depende do crédito abundante e barato. A crise que levou à queda de Prates tem alguns pilares. Enquanto Silveira e o ministro da Casa Civil, Rui Costa – e provavelmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – defendiam acelerar investimentos em refinarias e na indústria naval como forma de irrigar a economia, Prates destacava projetos de energia eólica. Mas o pano de fundo foram os dividendos extraordinários, que eram pagos desde o Governo Bolsonaro como antecipação de lucros futuros paralelamente aos atuais. Caso a empresa tenha problemas de caixa, por exemplo, com uma desvalorização do petróleo, parte dessa conta já estará quitada. Entretanto, o Palácio do Planalto pretendia zerar esses proventos extras para abastecer os projetos da petrolífera. O mercado financeiro reagiu muito mal, principalmente porque seus investidores esperam ser remunerados pela empresa da qual possuem ações. Por sua natureza, são imediatistas quanto ao lucro, enquanto os gestores da companhia precisam identificar o exato equilíbrio entre a remuneração e os gastos com projetos que vão definir faturamento e lucratividade no longo prazo. No fim das contas, o mercado teme que a gestão federal, ansiosa por acelerar o crescimento do País, gerar empregos e obter resultados eleitorais em decorrência disso, faça intervenção que ameace a estabilidade da companhia. Esse é o risco de uma estatal e tem tudo a ver com o tamanho da presença do Estado que se pretende na economia. Com 14 plataformas a serem lançadas até 2028, a Petrobras passa por um momento inédito em sua história devido aos dólares que jorram do pré-sal. Seus lucros atuais não têm relação apenas com uma gestão, como diz a esquerda, insensível com seu papel social. Porém, já se sabe que na próxima década o pré-sal vai se esgotar e é preciso definir o que fazer daqui para frente: como defende Chambriard, explorar a Margem Equatorial (costa do Amapá ao Rio Grande do Norte), de evidente impacto ambiental, ou buscar fontes alternativas de energia, em sintonia com o enfrentamento às mudanças climáticas – mas que no médio prazo podem não dar conta de atender o País por uma razão de custo ou eficiência.