(Vanessa Rodrigues/AT) Cinco projetos de transporte de passageiros por trilhos devem ser entregues em todo o País ainda neste ano. Além da extensão do VLT em Santos e em Fortaleza, estão previstos o aeromóvel do Aeroporto de Guarulhos, e trechos do metrô da Grande Teresina (PI) e da CPTM, em São Paulo. Segundo a Associação Nacional de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), em reportagem do jornal Valor, esses investimentos resultarão em uma expansão de 19,3 quilômetros, o que louvável. Entretanto, o ritmo demorado das obras e o aumento planejado para 2024 em um país de dimensões continentais mostram que ainda há muita timidez para investir nesse meio de transporte mais eficiente e sustentável e que garante maior conforto à população. De acordo com a entidade, essa malha foi ampliada em 15% desde 2014, mas esse ritmo caiu a partir de 2018 e em 2021 sua extensão ficou menor. Uma linha do entorno de Salvador (BA) foi desativada para dar lugar a um monotrilho, que acabou não sendo implantado. No Rio de Janeiro, a Supervia, em recuperação judicial, pode paralisar seus trens em uma rede de 200 Km, enquanto os ativos da rede da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em Maceió (AL), Recife (PE) e João Pessoa (PB) estão degradados, conforme o especialista da escola de negócios Insper, Sérgio Avelleda. Assim como no caso da infraestrutura, que também recebe investimentos abaixo das necessidades da economia brasileira, o transporte de massas também tem recebido poucos recursos para sua ampliação. Os analistas também alertam para a falta de planejamento, pois esses projetos ficam engavetados de tempos em tempos, e a demora para concluir as obras atravessa governos diferentes, o que é um risco político para sua interrupção. Os próximos investimentos no transporte de passageiros por trilhos, em sua maior parte, serão feitos no Estado, como o Trem Intercidades de Campinas. Porém, pela liderança econômica de São Paulo e o tamanho de seus municípios, os analistas afirmam que esse modal deveria contar com muito mais investimentos. Poucos são os países economicamente relevantes que não têm sistemas de trens e metrô como principal transporte de massa. O Brasil cometeu o erro de depender das rodovias, que hoje impactam na inflação devido aos combustíveis. Quando há um aumento de preço do diesel, essa conta extra se espalha rapidamente pelos diversos setores que dependem do sistema rodoviário. Além disso, há o impacto ambiental com a intensa liberação dos gases do efeito estufa. Hoje, pelas vantagens óbvias, concluiu-se que é preciso retomar o foco nos trilhos, não só para o transporte de mercadorias, mas também para o de passageiros. A guinada não é nada fácil, pois isso exige mão de obra capacitada, materiais e indústrias especializadas em trens, assim como há o custo elevado dessas obras.