Com popularidade em baixa a cinco meses da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reeditou o Desenrola Brasil, mais amplo do que o primeiro, de 2023. Especialistas alertam para o risco psicológico do endividado não honrar as parcelas da renegociação, de olho em um terceiro Desenrola. Já economistas afirmam que o programa não terá força para resolver o alto endividamento das famílias e das empresas, pois seus motivos continuarão no mercado – como taxas de juros elevadíssimas e acesso facilitado ao crédito. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Dificuldades à parte, a expectativa é que o Novo Desenrola Brasil propicie um alívio aos endividados. Além de livrar uma parte da renda hoje utilizada para pagar juros sobre juros num processo de bola de neve do saldo devedor, a iniciativa devolverá as famílias ao consumo com nome limpo. O programa foi discutido minuciosamente com os bancos, que aderiram porque o governo bancará o Fundo Garantidor de Operações (FGO) com R\$ 15 bilhões. É uma reserva que será sacada pelas instituições financeiras caso ocorram calotes após as renegociações. Em contrapartida, o sistema bancário oferecerá descontos sobre as dívidas e aplicará taxa de 1,99% sobre o que for renegociado. O governo optou por limitar o programa à renda mensal de até R\$ 8.105. O teto atende o eleitorado do presidente, mas a explicação oficial para não expandir o Desenrola à classe média foi de que seriam necessários mais alguns bilhões de reais para o FGO, pois o volume de dívidas seria muito maior. Esse público vai continuar dependendo do próprio esforço para sair do vermelho. O governo também tomou a decisão polêmica de liberar em até 20% o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abater o endividamento. O setor imobiliário reagiu, alertando que a medida vai tirar um potencial de produção de 46 mil moradias. Como o FGTS tem sido muito usado para estimular a economia, saindo do seu foco de atender o trabalhador demitido sem justa causa ou que vai comprar a casa própria, teme-se que em algum momento o fundo não dará conta de suas obrigações. Como se sabe que também há o aperto de dívidas sobre pequenas empresas, agricultores familiares e estudantes com crédito estudantil, o governo também incluiu essas classes sob a rubrica do Desenrola, mas com outras vantagens, como prazos de pagamento, desconto adicional e regularização de dívidas antigas. O Desenrola tem grandes possibilidades de dar certo, mas ele deveria embutir a educação financeira. Isso porque muitas famílias, assim que limparem o nome, poderão cair na tentação de contrair novos empréstimos, consumindo sem prioridade ou freio. Os bancos também precisam ser chamados a não abusar com suas propagandas para fisgar a clientela. Deve-se ressaltar que se prevê taxas de juros elevadas para os próximos anos, uma ameaça para que o endividamento exagerado não desapareça.