[[legacy_image_356510]] Os bancos começaram ontem a renegociar as dívidas das micro e pequenas empresas e dos microempreendedores individuais (MEI). A iniciativa, chamada de Desenrola Pequenas Negócios, fundamental para acelerar o crescimento econômico do País, vale para negócios com faturamento até R\$ 4,8 milhões com pendências apenas junto ao setor financeiro não pagas até 23 de janeiro último. Uma pesquisa da Serasa Experian, divulgada em março, a mais recente, já mostrava dimensão da inadimplência que trava esses negócios. São 6,7 milhões de empresas inadimplentes, sendo que 6,3 milhões são micro e pequenas, com 6,9 contas atrasadas em média. Por segmento, 54,9% são do setor de serviços e 36,4% do comércio (o restante se divide entre indústria, primário e outros). O endividamento médio é de R\$ 20 mil e a soma das dívidas negativadas no País atinge R\$ 134 bilhões. Esse valor é quase o triplo do total das dívidas renegociadas pelo Desenrola original, voltado às pessoas físicas e que termina neste mês. Ambos parcelam o saldo resultante da renegociação, que prevê bom desconto, mas de qualquer forma, exigindo alguma capacidade de pagamento, lembrando que muitas empresas estão com sérios problemas de caixa. No Desenrola Pequenos Negócios, apesar da parceria da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) com os ministérios da Fazenda e do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, a renegociação dependerá de cada instituição financeira, sendo que algumas podem não participar da iniciativa. Neste caso, a Febraban sugere fazer portabilidade a banco que tenha aderido. O endividamento vem de muitos anos, mas o altíssimo percentual de serviços e comércios inadimplentes pode ser atribuído à fase aguda da pandemia, que de uma forma emergencial foi enfrentada pelo Pronampe, crédito lançado pelo governo em 2020. Entretanto, a linha contava com correção pela taxa Selic mais juros. Na época se tratou de excelente negócio, pois a Selic estava baixa – em apenas 2% ao ano, de agosto de 2020 a janeiro de 2021. Porém, a injeção de recursos públicos na economia aqueceu de forma desenfreada a inflação – um fenômeno não só no Brasil, mas em boa parte do mundo. Para segurar os preços, em dezembro de 2021, a Selic já atingia 9,25%. Com uma correção nesse patamar, não há negócio que sobreviva. Agora, com a recuperação mais acelerada do que se imaginava do mercado de trabalho e queda da Selic, de 13,75% em junho de 2023 para atuais 10,5%, a asfixia foi parcialmente reduzida – até porque os juros continuam em dois dígitos. Como a pesquisa da Serasa apontou, os pequenos negócios, inadimplentes, estão sem uma ferramenta fundamental para a retomada, que é o crédito. Por isso, a renegociação é estratégica. Falta saber se os bancos vão ofertar condições que consigam socorrer o maior número possível de empresas endividadas.