[[legacy_image_300919]] A pesquisa do desemprego divulgada na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta um importante resultado – o menor nível já registrado nos últimos oito anos e meio. O dado se refere ao trimestre encerrado em agosto, de 7,8%, quase a metade dos 14,9% de março de 2021. O recuo vem desde o segundo semestre do ano passado, mas se acelerou nos últimos meses, o que é apontado pelos economistas como efeito do bom desempenho do agronegócio e mais recentemente dos serviços, além de uma tímida colaboração da indústria. Também houve o impacto da injeção de recursos públicos por meio do Bolsa Família e de programas, como o habitacional, e o aumento do salário mínimo acima da inflação. A deflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no primeiro semestre resultou em uma melhora do poder aquisitivo da população. Por isso, os analistas ampliaram a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, antes entre 0,5% e 1%, para 3%. Além disso, essa mesma pesquisa do desemprego apontou alta da massa salarial (soma dos salários pagos), de 5,5% na comparação anual. Esses dados do desemprego e o contexto de sua queda funcionam como pilares para uma recuperação consistente do País. O leitor pode questionar sobre alguma sensação de que o País não vai tão bem. Não se trata de um crescimento pujante, mas de avanços graduais. Entretanto, persiste a dúvida. Será que essa retomada é sustentável? Alguns economistas dizem que não, citando dois fatores – o governo passou a registrar queda de receita nos últimos meses, um efeito ainda pouco discutido da deflação (o valor nominal dos produtos caiu, então os impostos cobrados sobre ele também recuaram), e, por isso, terá que frear seus gastos para cumprir as regras fiscais. O segundo fator se refere às notícias, da semana passada, de que os Estados Unidos manterão os juros altos por pelo menos um ano e de que a China vai passar por tempos difíceis, sinalizando uma economia mundial mais retraída. O Brasil tem a seu favor a elevada balança comercial, mas em algum momento ela poderá perder vigor. Mas ainda não se vislumbra revés acentuado da geração de emprego e sim de recuperação mais lenta. Aliás, os dados atuais não estão muito distantes das menores médios do desemprego desde 2012. Em dezembro de 2013, foram 6,3%. Pouco depois, o País entraria em uma fase de terrível deterioração do mercado de trabalho. Mas há ainda uma tarefa a ser feita, que é a de melhorar a qualidade dos salários. Hoje se verifica muita informalidade, emprego por conta própria e empreendedorismo, que na verdade refletem falta de trabalho com carteira. Uma recuperação salarial depende do próprio crescimento da economia e principalmente da indústria. Para isso, falta política industrial para melhorar a competitividade brasileira, algo que não veio até agora.