( Imagem ilustrativa/Unsplash ) De sábado para cá, o noticiário internacional gira quase todo em torno da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Em um primeiro momento, o mais lamentável do episódio são as mortes registradas, especialmente as dos inocentes, que acabam por pagar uma conta a qual não fazem jus. Porém, com o passar dos dias, outros reflexos surgem e afetam o mundo todo, direta ou indiretamente. Ontem pela manhã, o preço do petróleo no mercado internacional disparou. Conforme especialistas, a escalada está diretamente ligada à preocupação com a situação do Estreito de Ormuz, passagem marítima que fica ao sul do Irã e liga os golfos Pérsico ou de Omã. Por lá passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. Trata-se da principal rota global para o transporte de petróleo vindo do Irã, Arábia Saudita e Iraque. No longo prazo, a interrupção do tráfego de navios provocaria efeitos contrários em todas as cadeias produtivas. Sobraria também para o Brasil. Mesmo sendo exportador de petróleo, o País poderia ser afetado por importar derivados, que chegariam mais caros por aqui. O preço do petróleo não foi o único a subir e a gerar tensões. Após apresentar uma trajetória de queda nas última semanas e atingir o menor valor em 21 meses, o dólar registrou alta ontem. Pouco depois do meio-dia, a cotação da moeda estrangeira beirava R\$ 5,20, alta perto de 1%. Responsável direto pelo ataque ao Irã, o presidente Donald Trump considera que a ação militar não tende a ser de longa duração. Contudo, caso a previsão dele não se confirme e o conflito se arraste, a exemplo da invasão russa à Ucrânia, que já dura quatro anos sem luz no fim do túnel, a alta do preço do petróleo pode levar à necessidade de repasse de preços ao consumidor, o que significaria um estímulo à inflação. Para um país que já tem as contas combalidas, como o Brasil, nada pior. E a desejada redução dos juros, que já estava no horizonte do Copom, dificilmente se tornaria realidade – atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano. Diante de tudo o que vem acontecendo, o embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o Brasil deve se preparar para o pior, ou seja, o alastramento do conflito na região, marcada por disputas e divergências seculares acerca de territórios e religião. Por ora, a diplomacia brasileira avalia como o conflito pode interferir na agenda de Lula com Donald Trump neste mês. A relação entre ambos começou tensa, com o Brasil sendo atingido em cheio pelo tarifaço, mas depois melhorou sensivelmente, a ponto de um encontro presencial ter sido promovido na Ásia e de Trump, ideologicamente mais próximo de Jair Bolsonaro e da direita, ter feito elogios públicos ao brasileiro. Motivos para o fim do conflito e o início das negociações não faltam. Restam os líderes refletirem com cuidado e chegarem ao entendimento o quanto antes.