[[legacy_image_348344]] Um dos conceitos mais conhecidos lançados no início dos anos 90, logo após a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, mais conhecida como Rio 92 ou Cúpula da Terra, foi a necessidade de agir localmente com base em desafios mundiais, uma espécie de receita sobre como as cidades poderiam intervir na dinâmica do dia a dia no sentido de contribuir para o então chamado desenvolvimento sustentável. Quase 180 países participantes da Rio 92 acordaram e assinaram a Agenda 21 Global, um programa de ação baseado num documento de 40 capítulos, que constitui a mais abrangente tentativa já realizada de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento. O termo “Agenda 21” foi usado no sentido de intenções, desejo de mudança para esse novo modelo de desenvolvimento para o século 21. Da Rio 92 muitas ações foram promovidas, muitos acordos e protocolos firmados entre os países, assim como alguns recuaram de seus compromissos e outros intensificaram as ações. Anualmente, parte dessas nações se encontra nas conferências do clima para renovar ou atualizar as ações necessárias para frear as consequências das mudanças climáticas. Em mais de três décadas, é possível afirmar que os desafios, hoje, são muito maiores, não só porque parte dos acordos não foi cumprida, mas também por outros fatores que ajudaram a tornar o clima como uma emergência planetária. O que não mudou, porém, é a necessidade do envolvimento das cidades nesse processo, a despeito dos que acham que apenas governos centrais são responsáveis por promover a mudança. Nesses 30 anos, um fator significativamente positivo foi a possibilidade de identificar com mais precisão as fontes poluidoras e também as formas eficientes de mitigar seus danos. Nesse contexto, o Brasil surge com grande potencial de ser protagonista da transição, por ter fonte de energia renovável, como água, vento e incidência solar, ou seja, teria menos dificuldade para zerar suas emissões líquidas de carbono até 2050, conforme se comprometeu no Acordo de Paris. Zerar emissões é remover da atmosfera a mesma quantidade de carbono que se emite, o que pode ser feito com o plantio de árvores ou a compra de projetos de reflorestamento (crédito de carbono), por exemplo. Nesse ponto entra o slogan da Rio 92: desafios globais só são resolvidos com ações locais, reflexão que aproxima as cidades, seus moradores e empresas de qualquer porte a tomar parte nesse processo. Movimentos locais já existem para estimular a difusão do conhecimento e tornar os processos mais fáceis, como Movimento ODS Santos 2030, que já tem a adesão de 140 empresas. Hoje, já há tecnologias acessíveis e gratuitas para avaliar a pegada ambiental de forma individualizada, o que significa que agir para reduzir os prejuízos não é tarefa apenas de governos, mas de todo o conjunto da sociedade.