[[legacy_image_262036]] No centro do debate sobre os perigos do aquecimento global e a consequente necessidade de preservação do meio ambiente, o Brasil viu os Estados Unidos acenarem com um aporte de US\$ 500 milhões – ou R\$ 2,5 bilhões – para o Fundo Amazônia. De acordo com o presidente Joe Biden, um pedido será enviado para o Congresso norte-americano para a liberação dessa verba. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Para fazer jus ao montante, o Brasil terá de acabar com o desmatamento até 2030. Nesse sentido, o presidente Lula prometeu que o País será implacável no combate aos crimes ambientais. “Vamos cumprir nossos compromissos de zerar o desmatamento”, garantiu o mandatário ontem, em visita a Portugal. Trata-se de uma agenda decisiva e para qual os olhos do mundo estarão atentamente voltados nos próximos anos. Prova disso é que o Brasil tem chance de ser classificado como país de “alto risco” nas novas regras antidesmatamento da União Europeia, que, na última quarta-feira, aprovou a lei que obriga empresas a comprovarem que produtos das cadeias de gado, cacau, café, óleo de palma, soja, madeira, borracha, carvão vegetal e papel não venham de áreas desmatadas de nenhum lugar do mundo. Segundo o projeto de lei, países de “alto risco” deverão cumprir mais exigências do que aqueles com classificação “padrão” ou de “baixo risco”. No campo técnico, a tecnologia joga a favor, e bons exemplos engendram boas expectativas. Um sistema de monitoramento e gestão territorial tem realizado o mapeamento da produção agroextrativista dos povos que vivem nas terras indígenas do Rio Gregório e Kampa do Rio Amônia, no Acre. Por meio de um aplicativo para celular, a ferramenta também faz o levantamento de dados demográficos e da biodiversidade local, além de alertar sobre mudanças no uso do solo. O sistema foi desenvolvido em parceria com a ONG Conservação Internacional (CI-Brasil) e os povos indígenas yawanawá e ashaninka. A ferramenta começou a ser testada em junho de 2022 e, até o momento, mais de 274,6 mil hectares de terras já contam com proteção ampliada. Os maiores entraves para o cumprimento da meta ambiental ainda estão no campo da política. Parcela significativa do agronegócio ainda não se convenceu da necessidade de conciliar produtividade e proteção ambiental. Alinhada com uma visão ultrapassada, essa ala ainda tem voz ativa e vai exigir muita negociação e fiscalização por parte do governo. Não bastasse isso, ainda há o fogo amigo. Aliado histórico do PT, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) mantém agenda de invasões. A última foi a área de preservação ambiental e de pesquisas genéticas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Semiárido), órgão do Governo Federal, em Pernambuco. A Embrapa divulgou comunicado dizendo que a invasão das terras é “inaceitável”.