O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, retomarão na próxima segunda-feira as negociações sobre o tarifaço do Governo Trump contra produtos brasileiros. O retorno às conversas veio após telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Donald Trump na semana passada. Apesar da boa vontade de ambos, há poucas perspectivas de resultados concretos em benefício do Brasil. Márcio Rosa diz que espera pelo menos obter a isenção tarifária de mais alguns produtos brasileiros, a exemplo da carne bovina, café, petróleo, suco de laranja e partes de avião. Dessa forma, o encontro, que será por videoconferência, parece mais um acerto político. Lula mostrará aos empresários brasileiros que busca algum acordo com os EUA, enquanto o Governo Trump, criticado pelo fracasso das reuniões com o Canadá, sinaliza que está disposto a ouvir seus parceiros comerciais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Greer é visto como um assessor de Trump mais objetivo, disposto a cumprir sua função de negociar vantagens para os EUA. No caso brasileiro, há um fator determinante para o País não ceder tanto quanto União Europeia, Japão e Coreia do Sul, que é o deficit comercial do Brasil em relação aos EUA. Por outro lado, Greer reclama de barreiras que o Brasil utiliza, como a praticada sobre o etanol de milho americano. Mas o Governo Lula negou abrir esse mercado, não por questão ideológica, e sim pela pressão do agronegócio do Nordeste, que acha que perderia muito mercado. Entretanto, a soberba e o componente político que os EUA aplicam nas negociações têm inviabilizado o entendimento com seus parceiros mais aguerridos, como Brasil, Canadá e China. Segundo o jornal Valor Econômico, Greer é apenas um dos componentes da negociação, com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, impondo condições mais rígidas. Há ainda o secretário de Estado, Marco Rubio, atuando como um entrave a uma aproximação com o Brasil. Agora, Lutnick e Navarro estariam sendo apontados como determinantes para o fracasso das conversas com o Canadá. Também há uma queixa de que os EUA agem para minar os acordos que seus alvos têm feito com outros países para reduzir o impacto tarifário e que a Casa Branca recusou conceder ao Canadá as mesmas vantagens que os EUA garantiram a terceiros em outras negociações. O Canadá está em uma enrascada porque 70% de suas exportações são voltadas aos EUA, enquanto no Brasil esse percentual é de 11%. A repercussão negativa que o fracasso das conversas com o Canadá teve nos EUA, abrindo espaço para ataques dos democratas em pleno período pré-eleitoral por lá, pode ser uma oportunidade para o Brasil conseguir alguma concessão dos EUA. Mesmo assim, não há apostas por algum resultado relevante para o Governo Lula.