(José Cruz/Agência Brasil) A pesquisa Quaest/Genial Investimentos que apontou queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não surpreendeu. Sua gestão sofreu reveses nas redes sociais, como a repercussão do monitoramento do Pix pela Receita Federal, e ainda aumento de preços dos alimentos em pleno Natal e deterioração das contas públicas. Neste último caso, o plano de corte de gastos, que embutiu a isenção de Imposto de Renda até a faixa salarial de R\$ 5 mil mensais, teve o efeito contrário. Gerou mais incerteza no mercado financeiro e piorou a imagem do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, associada pela oposição ao propósito de aumento de impostos. Conforme a pesquisa, a aprovação do Governo Lula é de 47%, ficando pela primeira vez abaixo da desaprovação, de 49%. Não é um desempenho ruim, porém, está aquém do histórico do petista. Outro dado importante veio do Nordeste, seu mais fiel eleitorado, cujo apoio recuou de 67% em dezembro para 59% agora. Sua administração enfrenta impopularidade entre evangélicos, brancos, renda acima de cinco salários mínimos e moradores da Região Sul, o que não é novidade. Mas a rejeição é alta e ronda os 60% nesses quesitos. A rigor, os dados não são catastróficos, mas suficientes para o Palácio do Planalto estudá-los com cuidado. O rombo fiscal preocupa, mas sua situação ainda pode ser amenizada com um aperto do cinto, que Lula resiste. Segundo economistas, a inflação está em ascensão, podendo ficar em 5,5% ao ano, com foco nos alimentos. Se a safra for generosa e o clima colaborar, os preços tendem a se acomodar, condição para a população inverter sua percepção de perda de poder aquisitivo. Isso é da maior importância. O governo agiu para acelerar a economia e o mercado de trabalho, entretanto, é fundamental controlar a inflação, algo que causa divergência de Haddad, mais fiscalista e pró-mercado, com os aliados à esquerda. O País já experimentou aventuras antes e a fórmula que tem dado certo é juro alto para esfriar o consumo e controle de gastos, sem paliativos intervencionistas. É o caso dos combustíveis, com o Planalto monitorando os reajustes da Petrobras. Por sorte, as cotações do petróleo no exterior estão acomodadas e apenas subirão forte se China e Europa voltarem a crescer mais rápido, o que não está no radar. As colunas políticas também têm discutido o ânimo, ou a falta dele, do presidente Lula para uma nova disputa eleitoral, com análises sobre o peso da idade, falha do avião presidencial e o acidente doméstico. O petista segue como adversário dificílimo de ser batido, apontaram levantamentos recentes, com a vantagem do tempo para se recuperar com uma arrumação, como indica a reforma ministerial que ele já começou a preparar. O problema é que Lula não tem integrantes em sua equipe com liberdade para questioná-lo sobre erros e apontar os caminhos nas decisões, com o petista ficando mais solitário no terceiro mandato.