(Reprodução/X) A França está no centro das atenções com seus protestos, que começaram voltados à melhoria do ensino e escalaram para queixas contra o custo de vida, em meio a muito vandalismo. Entretanto, a insatisfação nas ruas já é uma realidade em vários países europeus, que poderão levar a desfechos inesperados. Esses atos precedem eleições nas principais economias do continente e coincidem com partidos extremistas conseguindo conquistar partes do eleitorado, até com chances de vitória ou de quebrar a resistência da direita tradicional de compor governos. Não se sabe se essas manifestações vão resultar em personagens vitoriosos nas urnas ou se acabarão irritando a maioria pela atual baderna e violência. Contudo, poderão pressionar as relações internacionais, com o apelo anti-imigração, e afetando o Brasil, cujo gigantismo da exportação agropecuária irrita pequenos produtores, que clamam por protecionismo, apoiando legendas populistas. Os protestos na França avançaram tanto que já há uma força de 60 mil policiais arregimentados e toques de recolher já são decretados em algumas cidades. O tamanho e a força dos atos, com vândalos e saqueadores infiltrados, não são uma novidade na França, nem mesmo no governo de Emmanuel Macron. O presidente francês já enfrentou os coletes amarelos, movimento que surgiu em 2018 contra os impostos sobre combustíveis fósseis, recebendo apoio da extrema direita. O atual é mais à esquerda, apesar disso não impedir a marcha de outras orientações ou de conservadores se aproveitarem para defender a lei e a ordem. Os motivos das insatisfações variam de um país para outro, mas geralmente se baseiam em protestos por melhorias no ensino e redução do custo de vida, como na Itália, Bélgica, Albânia e Grécia. Já Espanha e Portugal se assemelham pelo foco na alta dos aluguéis, com críticas à expansão do turismo de massa. Na Alemanha, as manifestações são diversificadas, com o temor da volta do serviço militar obrigatório, transição energética e austeridade fiscal. Em vários dos atos há a liderança da geração Z (nascidos entre 1997 e 2010). Mas há os sindicatos e trabalhadores também muito ativos nos protestos. Para analistas, o reflexo mais óbvio dos protestos seria o de acelerar a ascensão da extrema direita, enfraquecendo a democracia ocidental e organismos multilaterais, como a própria União Europeia. Outro efeito poderia ser o enfraquecimento de programas de austeridade para acalmar os manifestantes, causando mais endividamento público, inflação e aumento dos juros, sob risco de recessão. Mas há especialistas que dizem que a guinada à direita poderá gerar mais consenso na UE, preservando o bloco. Porém, fica o risco de haver uma onda anti-imigratória gerando convulsões sociais e pressões nos países pobres, assim como conflitos com a China e uma política imprevisível frente a Rússia, de aproximação ou de um choque perigoso.