(FreePik) A violência contra a mulher voltou a impor ao Estado de São Paulo um alerta que não pode mais ser ignorado ou naturalizado. Os dados mais recentes escancaram uma realidade incômoda: mesmo com avanços institucionais, o problema persiste e cresce. Em 2025, o Estado registrou o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, com 270 casos — um aumento de 6,7% em relação ao ano anterior. Trata-se de um indicador extremo, que evidencia o desfecho mais brutal de uma cadeia de violências que começa muito antes, dentro de casa, em relações marcadas por controle, ameaça e agressões reiteradas. Na Baixada Santista, o cenário é preocupante. Levantamentos regionais mostram crescimento expressivo das ocorrências, com registros de feminicídio que, em determinados recortes, mais do que dobraram em relação ao ano anterior. Em Praia Grande, por exemplo, onde não houve casos em 2024, o total de registros foi de três em 2025 e, somente nos três primeiros meses deste ano, tivemos mais três casos. Outro dado reforça a gravidade do quadro. Em 2025, uma mulher foi vítima de violência sexual a cada 12 horas no Estado. A recorrência desses episódios revela que o problema é estrutural, enraizado em padrões culturais que ainda toleram, silenciam ou relativizam a violência de gênero. Diante desse cenário, é necessário reconhecer que houve avanços importantes nas políticas públicas. O Governo do Estado tem ampliado o atendimento especializado, com a expansão das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e funcionamento 24 horas em diversas unidades, além do uso de tecnologia para facilitar denúncias e monitorar agressores. Programas de acolhimento, integração de dados e fortalecimento das redes de proteção também têm contribuído para dar mais agilidade às respostas institucionais. Exemplo claro é a possibilidade, a partir de agora, do agressor utilizar tornozeleira eletrônica, já que nem sempre as medidas protetivas são suficientes. No entanto, nenhuma política será suficiente se o enfrentamento não ultrapassar os limites da segurança pública. A violência contra a mulher precisa ser tratada como uma questão social ampla, que exige educação, prevenção e mudança cultural. É fundamental que os números sejam analisados com rigor e de forma ininterrupta, permitindo identificar tendências, avaliar políticas e corrigir rumos. Mais do que reagir aos picos de violência, é preciso compreender suas causas e atuar de forma contínua. Esse debate também precisa chegar aos bancos escolares. É na formação das novas gerações que se constrói uma cultura de respeito, igualdade e responsabilidade. Discutir violência de gênero nas escolas não é antecipar problemas, mas preveni-los. Combater a violência contra a mulher é uma tarefa que deve envolver toda a sociedade: poder público, instituições, famílias e cidadãos. Não há solução simples a um problema complexo, mas o primeiro passo é reconhecer a gravidade do problema e agir de forma contínua e coletiva.