[[legacy_image_347915]] O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) divulgou os dados mais recentes sobre os indicadores de qualidade do ensino superior no Brasil. Em 2022, foram avaliados 26 cursos de bacharelado e tecnológicos, principalmente de gestão e ciências sociais e humanas - como direito, psicologia e relações internacionais. Nos 7,2 mil cursos presenciais avaliados, as notas foram mais altas, 38,1% com 4 e 5. Nos cerca de 1,7 mil cursos à distância, esse número foi menor, 38,1% de 4 e 5. Os cursos presenciais foram mais reprovados do que os à distância: 10% contra 8,1%. Esses indicadores, embora sejam essenciais para avaliar o panorama educacional do país, exigem uma análise crítica para que se compreenda verdadeiramente o estado da educação superior brasileira. Em primeiro lugar, é importante reconhecer os avanços. Entre os dados divulgados, destaca-se um aumento modesto, porém significativo, nas taxas de conclusão de cursos superiores. Isso sugere uma melhoria na retenção e no acompanhamento dos estudantes, indicando um possível fortalecimento das políticas de permanência e apoio acadêmico. No entanto, é crucial olhar o cenário de uma maneira mais ampla. A qualidade do ensino superior vai além da mera conclusão de cursos. Deve-se questionar a eficácia dos métodos de ensino, a relevância dos currículos, a formação dos docentes e a infraestrutura das instituições. Um aspecto preocupante dos dados do Inep é a persistência das desigualdades regionais e socioeconômicas no acesso e na qualidade do ensino superior. As disparidades entre as regiões do país e entre diferentes grupos sociais continuam a ser uma barreira significativa para a democratização do ensino superior. Além disso, há uma diferença relevante de qualidade entre as instituições públicas federais e as particulares. Das 1.998 instituições avaliadas: 85% das públicas tiraram notas 4 e 5 no Índice Geral de Cursos (IGC), contra 21% entre as particulares com fins lucrativos. Na divulgação dos resultados desta semana, o Ministério da Educação cogita adotar outros cinco critérios avaliadores, entre eles empregabilidade dos alunos, taxa de conclusão e impacto social dos cursos., mas a ideia é que mudanças já tenham sido implantadas quando do Enade de 2024. Avaliar o ensino superior deve ser uma tarefa permanente do Governo Federal, e assim tem sido desde a criação do antigo Provão, implantado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso na década de 90. É fundamental que os dados divulgados pelo Inep não sejam apenas números em relatórios, mas sim ferramentas para orientar políticas públicas e práticas institucionais eficazes, inclusive com o descredenciamento de cursos e instituições que, de forma persistente, apresentem performance insatisfatória. Os gestores educacionais também devem utilizar esses indicadores para identificar áreas de melhoria, promover a transparência e prestar contas à sociedade.