Depois da soja, que expandiu o agronegócio do Sul para o Centro-Oeste e parte do Nordeste e Norte, e o petróleo, os data centers e a indústria extrativa devem se tornar os próximos setores a gerar profundas mudanças na economia brasileira. Todos esses produtos e segmentos têm uma característica em comum: o elevado impacto ambiental, o que exige cuidado redobrado para promover o crescimento com eles. Apesar dos riscos, o setor público precisa ter sabedoria para manter o avanço dos que estão consolidados e estimular os mais recentes. O objetivo deve ser, além de obviamente gerar riquezas para o Brasil, ampliar o mercado de trabalho, atrair investimento inclusive externo e proporcionar distribuição de renda. As terras-raras e minerais como níquel, nióbio, lítio e grafita, hoje chamados de críticos por serem essenciais ao setor tecnológico, dão holofotes ao Brasil devido às imensas reservas por aqui. Porém, a expansão da indústria extrativa, que inclui o petróleo, não é recente. Esse segmento teve seus investimentos ampliados em 1.366% entre 1997 e 2024, segundo a equipe do economista da FGV Claudio Considera, em reportagem do jornal Valor Econômica. No mesmo período os aportes na indústria de transformação (máquinas, peças, carros, eletrodomésticos, roupas e alimentos industrializados, entre outros) cresceram somente 60%. No caso dos data centers, segundo especialistas, o Brasil já concentra 75% dos investimentos nesse segmento na América Latina. São centros computacionais para o processamento e armazenamento de dados da inteligência artificial, redes sociais e computação em nuvem. O País tem essa atratividade devido à dimensão continental e muita energia renovável disponível, além da conexão por cabos marítimos pelo Ceará com o Hemisfério Norte. Além disso, o Congresso finalmente aprovou o Redata, regime tributário que estimula não somente a instalação de data centers, mas o valor agregado de equipamentos e serviços e o acesso à pesquisa avançada. Nos EUA, essas unidades geram grande apreensão devido à necessidade de muita água para resfriar as instalações. Porém, empresários brasileiros dizem que no País os modelos são de menor impacto ambiental, como reúso e captação de chuva. A FGV Projetos e a Associação Brasileira de Data Centers estimam em R\$ 1,5 trilhão o potencial de investimentos nessa área, quase 12% do atual Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Enquanto a indústria convencional perde seu dinamismo, muito ruim para as grandes cidades e o Estado, outros segmentos avançam, mantendo a economia brasileira diversificada. Porém, o País perde tempo perante os concorrentes internacionais por falta de planejamento e descontinuidade de programas com a troca de governos. As oportunidades que pesquisa e tecnologia e um país muito rico em minerais e terras agricultáveis geram não podem ser mal aproveitadas.