[[legacy_image_303382]] Era esperado que os mercados mundiais reagissem mal nesta semana devido à guerra de Israel contra o grupo terrorista Hamas. O dólar chegou até a cair entre sexta-feira e ontem e o petróleo, que subiu forte na segunda, recuou e se manteve abaixo dos US\$ 90 o barril. As ações das petroleiras avançaram conforme a cotação da commodity e, como suas reservas refletem o preço do produto, também ficaram comportadas ontem. Essa quase calmaria é reflexo de uma preocupação maior, os juros dos Estados Unidos, que devem perdurar elevados por pelo menos um ano, pois o país ainda cresce com força, perto de 4% ao ano, o que a qualquer momento pode reaquecer a inflação por lá. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! De qualquer forma, o governo precisa ficar de olho no confronto do Oriente Médio. Uma invasão por terra sobre Gaza que acabe atraindo o Hezbollah, baseado no Líbano, que faz fronteira pelo norte de Israel, e o Irã, suposto apoiador do Hamas na carnificina do fim de semana - o Irã negou - teria força para interromper o fluxo de petroleiros na região. O Irã, por sofrer sanções, produz 3 milhões de barris por dia, o mesmo que o Brasil, mas como a economia iraniana é menor, uma proporção muito maior do que a da brasileira deve ser vendida a outros países. Mas a expectativa de que o conflito poderá ser demorado, com implicações imprevisíveis, cedo ou tarde, deverá ter reflexos nos mercados. Diferentemente de décadas atrás, quando a produção de petróleo era muito mais dominada pelo Oriente Médio, agora há alternativas, como o Brasil e novos produtores em menor escala. Os EUA, sempre pressionados pela geopolítica petrolífera, têm como apelar ao xisto, rocha da qual também se produz óleo, que passa a ser viável quando o barril se valoriza demais. No caso do Brasil, a situação é bem melhor do que no começo dos anos 1980. Na época, o País não tinha reservas internacionais para dar conta do alto preço do petróleo. Hoje o Brasil tem US\$ 340 bilhões, que podem ser usados tanto para derrubar o câmbio em caso de disparada como para abastecer as refinarias do País. Contudo, é no refino que se precisa ficar atento, pois essa área foi preterida em razão da urgência das últimas décadas para descobrir reservas, como o pré-sal. Agora o Brasil precisa importar o produto porque as refinarias não foram totalmente adaptadas para o tipo extraído por aqui e também há a necessidade de comprar no exterior 30% da demanda interna do diesel devido à prevalência do transporte rodoviário em relação ao ferroviário, apesar de ser um país de dimensões continentais. É por isso que os preços nos postos têm impacto tão rápido na inflação dos outros setores da economia. O atraso nos investimentos do refino e opções erradas para o sistema de transporte são apenas alguns dos fatores que compõem o custo Brasil, que mina a competitividade brasileira e deixa o País vulnerável em crises resultantes de conflitos como o de Israel.