[[legacy_image_126065]] Os quase dois anos de pandemia de covid-19 fizeram com que a sociedade olhasse com mais empatia um dos segmentos responsáveis por levar leveza e força aos enclausurados: a cultura. Shows musicais gravados em estúdio e distribuídos em redes sociais, peças de teatro adaptadas para simular o palco, e até saraus digitais e lançamento de livros feitos de forma virtual. Tudo para atingir dois objetivos fundamentais: ajudar o público a suportar o distanciamento social, e garantir minimamente que a classe artística continuasse a ter algum ganho mesmo sem a presença de pessoas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! É possível dizer que ambos os objetivos foram alcançados, embora muitos artistas tenham sido obrigados a recorrer à ajuda do governo, de entidades e amigos para não padecer. A pandemia, porém, parece não ter sido suficiente para mostrar a todos os governos que é um dos segmentos mais relevantes da sociedade, responsável por perpetuar a história de um povo e ajudar a formar cidadãos. Em São Vicente, a Prefeitura determinou o rebaixamento do status de secretaria e colocou a Cultura na mesma secretaria que os esportes e a cidadania. Diz a Prefeitura que recursos e relevância estão mantidos, e que os programas em curso até aqui permanecerão no novo organograma. A questão, porém, é mais complexa, e exige uma reflexão mais apurada do que se entende por cultura. Embora não se queira fazer comparação, mas o princípio da unificação com outros setores foi o mesmo adotado pelo atual presidente, em janeiro de 2019, quando extinguiu o Ministério da Cultura e colocou os assuntos da pasta no guarda-chuva do Turismo. De lá para cá, quatro trocas de comando já aconteceram, e a gestão da Cultura vem sendo considerada uma das piores dos últimos governos. Todo cidadão entende que é preciso enxugar a máquina pública, reduzir estruturas e otimizar os recursos que vêm dos impostos pagos pela sociedade, mas há maneiras e maneiras de estruturar reformas administrativas, de tal forma que setores de relevância para as cidades, que representam potencial econômico, símbolo de atratividade ou possibilidade de fomento de novos negócios sejam preservados. São Vicente ostenta o título da primeira cidade brasileira, onde a tradicional encenação da vila, seu patrimônio histórico e cultural lhe conferem uma personalidade única, em que a cultura de seu povo e a riqueza de sua história são ingredientes ricos para potencializar ainda mais sua conexão com o restante do País, representando destino turístico para um público cada vez mais ávido por conhecimento e identidade. Dizer que tudo isso estará integralmente preservado na pasta de Esportes soa mal para dentro da cidade e emite um recado ruim para fora. Ainda há tempo de repensar a decisão. Certamente haverá outras estruturas passíveis de enxugamento em todas as demais 22 pastas do atual organograma vicentino.