[[legacy_image_140687]] Os cruzeiros marítimos estão suspensos em todo o litoral brasileiro até o próximo dia 21, medida anunciada esta semana pela Associação Brasileira de Navios de Cruzeiros (Clia), que representa duas das maiores operadoras de navios no País, a MSC Cruzeiros e a Costa Cruzeiros. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Até lá, a entidade afirma que vai avaliar com as autoridades do Governo Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estados e municípios as interpretações e aplicações dos protocolos operacionais de saúde e segurança que haviam sido aprovados no inicio da atual temporada, em novembro. O tema é polêmico, divide opiniões, e é preciso admitir que, diante do cenário atual, com aumento no número de casos de contaminados pela variante Ômicron e com o total de infectados também registrado dentro dos cruzeiros, a melhor medida a ser adotada era, de fato, a parada temporária para melhor avaliação do quadro. Há uma corrente da sociedade que defende o término da temporada em definitivo e sua retomada apenas com o fim da pandemia, e os que entendem que viajar de cruzeiro é apenas uma das muitas atividades liberadas pelas autoridades sanitárias e, portanto, passíveis de contaminação, como acontece em outros setores, como shows, cinema, jogos de futebol e eventos corporativos. Anvisa, operadores de cruzeiros, autoridades sanitárias e governos têm os próximos 15 dias para se debruçar sobre dados e fazer projeções, mas utilizando critérios técnicos e sanitários exclusivamente. Nesse contexto, importante destacar que a maior parte dos contaminados é de tripulantes. Dados divulgados pela própria Anvisa comparam o total de tripulantes contaminados entre as últimas terça e quinta-feira. Nos cinco navios que operam atualmente na costa brasileira, o número de tripulantes com covid-19 passou de 184 para 505. Esse dado enseja uma reflexão relevante: onde e como os tripulantes estão se contaminando? Os testes são feitos a cada momento em que entram em contato com o exterior? Quais são as medidas sanitárias vigentes dentro dos navios? Alguns passageiros que tiveram o roteiro abortado nesta semana reportaram que, em determinadas noites a bordo dos navios, houve festas e outras iniciativas que não estavam liberadas nos protocolos de segurança. Caso os cruzeiros sejam retomados, quais medidas extras serão adotadas? Também foram os passageiros que relataram o rigor adotado dentro das embarcações quanto ao uso de máscaras e disponibilidade de álcool em gel. Em síntese, já está claro que falhas aconteceram dentro ou fora das embarcações, e é sobre elas que as autoridades precisam se debruçar antes do dia 21. Importante que, qualquer que seja a decisão, tenha por base critérios técnicos e científicos. Se a temporada for retomada, que passageiros e tripulantes tenham a segurança garantida. Assim foi com outros setores da economia, e não há razão para ser diferente com os cruzeiros.