[[legacy_image_343364]] Aos poucos a economia brasileira parece trilhar caminho parecido com o da americana, considerando as devidas proporções. Nos Estados Unidos, o Produto Interno Bruto (PIB), assim como a oferta de emprego, cresceu ao longo dos meses mais do que os analistas previam, a inflação ficou bem comportada, preocupando apenas nas últimas duas ou três semanas e adiando as apostas de que o Federal Reserve (Fed, Banco Central) vai começar a reduzir os juros. Neste ponto, o Brasil está mais adiantado, pois o BC tem cortado a taxa Selic desde agosto passado, mas agora com alguns analistas achando que logo a autoridade monetária vai parar sua política para estudar os resultados. Ou, ainda, que os preços vão subir, ainda que moderadamente, porque o País se expande mais rapidamente. Com isso, o BC teria que mudar sua estratégia em relação à Selic, deixando-a congelada em níveis altos. Por enquanto, o Boletim Focus, que é a pesquisa semanal feita pelo BC com mais de 100 especialistas do setor financeiro, indica previsão da Selic encerrar o ano em 9%, permanecendo em 8,5% de 2025 a 2027. Hoje está em 11,25%. O que diferencia o Brasil dos EUA, além da inflação historicamente mais alta e agressiva, é o risco elevado, por aqui, do efeito político sobre a economia. Neste momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta queda de popularidade e pode acelerar o gasto público para impor um crescimento mais forte. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) de janeiro avançou 0,6%, ligeiramente abaixo das previsões, de 0,7%, mas mantendo a expansão mensal e começando o ano no positivo. Para economistas, de fato a economia está em um ritmo mais forte. Como isso reflete em parte iniciativas de Lula, como incrementar programas sociais e o salário mínimo, o mercado já discute o que vem por aí, à custa de recursos federais. Mas se o País tem crescido, por que o governo enfrenta queda de popularidade? Porque essa expansão é desigual, muitos dos empregos gerados são de baixa qualidade e vários segmentos ainda não se recuperaram frente ao baque na pandemia, principalmente os de serviços. Além disso há o efeito da inflação, que apesar de estar comportada tem impacto diverso por classe social e produtos, mantendo a perda do poder aquisitivo – lembrando que o arroz, o feijão, a carne e até as passagens aéreas não retornaram a seus preços de alguns anos atrás. Como os salários não subiram igualmente, o governo terá que redobrar seu esforço para garantir não só resultados, mas o convencimento da população de que há alguma prosperidade. Parte da impopularidade está em gasto de energia do presidente com declarações sobre Israel e Petrobras ou na briga com o Congresso e a oposição. Mas a população cobra respostas para seus problemas mais imediatos. Contudo, fica o risco do Palácio do Planalto reagir com medidas populistas, de impacto negativo nas contas públicas.