(Freepik) De janeiro a agosto, o mercado de trabalho gerou 1,7 milhão de vagas formais, enquanto o desemprego saiu de 7,4% em dezembro último para 6,6% no mês passado – essa taxa atingiu seu pico em setembro de 2020, época de pandemia, a 14,9%. São dados que explicam o crescimento da economia acima do esperado, que poderá superar 3% neste ano, contrariando previsão feita em 2023, de 0,5% para 2024. O Governo Federal injetou recursos que turbinaram essa prosperidade, mas também os prefeitos, de olho na reeleição, concentraram suas obras em 2024, um fator que não se tinha em 2023. Esse peso estatal no crescimento da economia traz o efeito negativo do déficit público, que o presidente Lula tenta minimizar, mas que sabe que poderá azedar os últimos anos de sua gestão. A troca do teto de gastos pelo arcabouço fiscal, com o governo tentando a todo custo elevar a arrecadação sem se esforçar em cortar gastos, gerou muita desconfiança no mercado. Rombo nas contas públicas faz a máquina estatal tomar dinheiro emprestado da sociedade, que vai exigir juros conforme o nível de risco. E se há desconfiança, obviamente que as taxas vão subir, o que acaba refletindo no crédito em geral, desde aquele que o cidadão toma para comprar a casa própria ou consumir, até o empresário que precisa expandir sua companhia. Por isso, se a gestão petista quiser uma trégua dos críticos, terá que ser convincente com robusto aperto de cinto na gastança pública. Entretanto, o crescimento econômica também tem participação do setor privado. O minério de ferro e o petróleo perderam valor e o agronegócio teve problemas com o clima, mas a quantidade exportada continua robusta e o saldo comercial acumulado neste ano está perto de US\$ 60 bilhões. Apesar da onda de pedidos de recuperação judicial, grandes empresas estão com lucros elevados em seus últimos balanços, muitas com projetos de crescimento, principalmente de olho nas exportações, com geração de mais empregos e saldo comercial, reflexo de uma economia movida a commodities. Além disso, a massa salarial mensal, em agosto, atingiu R\$ 326 bilhões, alta de 8,3% sobre igual período do ano passado. Há o efeito indesejado da inflação, que está resistente do lado dos serviços. Esse componente é uma eterno freio ao crescimento do País, mas desta vez não há e expectativa de fim de mundo – a Selic deverá parar de subir em janeiro, e o crescimento em 2025 tende a ser mais fraco. Imprevistos poderão ocorrer, como fatores externos, mas Estados Unidos e China estão com suas economias bem desaceleradas, o que não deve forçar a valorização do petróleo. No fim das contas, resta um choque de realidade no Governo Federal, que precisa ser austero e parar de dar combustível à inflação. Algo bem difícil, porque uma gestão populista vai estar propensa a aquecer seus programas sociais, com vistas à próxima eleição presidencial.