[[legacy_image_296424]] A pesquisa do Sebrae - Pulso dos Pequenos Negócios - referente ao período de maio a julho - aponta a real situação dos negócios de menor porte no País na contratação de financiamentos. Os dados indicam que os problemas desse segmento empresarial continuam sérios. Segundo o levantamento, que considera o microempreendedor individual (MEI) e as micro e pequenas empresas (MPE), apenas três em cada dez entrevistados conseguiram crédito. O acesso a empréstimos é da maior importância porque esse capital tem força para alavancar o Produto Interno Bruto (PIB), pois não serve apenas para aliviar as contas nas dificuldades, mas para realizar investimentos, gerando empregos. Conforme o Sebrae, entre os MEIs, 25% conseguiram crédito e, entre as MPEs, 40%. Mesmo assim, os que acessaram recursos ficaram sujeitos a juros elevados, até porque os pequenos negócios enfrentam problemas estruturais, como falta de garantias para reduzir o risco dos bancos e pagar taxas menores. Esses empreendedores também sofrem os efeitos de uma má formação educacional no País, que vem desde a base e faz poucos investimentos no ensino técnico. Isso prejudica na hora de apresentar uma proposta de negócio bem formatada à instituição financeira, por exemplo, para pedir financiamento para expandir as instalações e abrir postos de trabalho. Também é muito comum que os empresários misturem as contas pessoais com as da empresa, dificultando compreender se o negócio está dando lucro ou é gerido com eficiência. São deficiências do empreendedorismo há um bom tempo relatadas pelo Sebrae, que faz um importante trabalho de capacitação e que ainda tem um longo caminho a ser trilhado para esse fim. O governo poderá mostrar resultados nessa área com o novo ministério a ser criado para estimular o empreendedorismo e apoiar as pequenas empresas. Entretanto, além da capacitação, o acesso a crédito é o principal gargalo. O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) deve lançar uma nova linha com aporte de R\$ 600 milhões do Sebrae, que é muito pouco para atender o País. Mas há uma expectativa de se ampliar a oferta para R\$ 10 bilhões, segundo o presidente do Sebrae, Décio Lima. A ideia de usar o BNDES, que tem juros mais baixos, para atender o pequeno empreendedor vem desde os tempos de Fernando Henrique Cardoso e nunca se consolidou. O problema começa com o perfil do BNDES, que é de fomento, e não comercial. Isto é, não tem uma capilaridade de agências para atender os pequenos empresários. Bastaria fazer uma parceria com bancos convencionais. Porém, as dificuldades estruturais do pequeno negócio, como se vê, bem antigas, acabaram por dificultar o acesso às linhas de taxas mais convidativas do BNDES. Apesar disso, o crescimento do PIB depende dessa classe, cujo sucesso tem reflexos na renda e qualidade de vida no País.