Os bancos e seus cartões de crédito aos poucos começam a oferecer uma nova modalidade, que na prática estende o crediário das lojas. Se o comerciante, principalmente o de menor e médio portes, tem fôlego para oferecer a venda só em poucas parcelas, a operadora da bandeira poderá estender o prazo para 24 ou até 36 meses. Essa linha vem em um bom momento para estimular o consumo, mas não se pode dizer o mesmo em relação ao consumidor. A começar pelos índices de inadimplência, que limitam a tomada de empréstimo. Mas, também pelo já conhecido abuso do brasileiro ao se endividar, que observa apenas o tamanho da prestação e não se importa com a carga de juros. Desde o Governo Temer, o Banco Central tem feito uma série de esforços para reduzir as taxas de juros das mais variadas linhas de crédito do País. A Selic está em seu menor patamar histórico e mesmo assim o BC não obteve grandes resultados para suas iniciativas.A prova disso é que a taxa do rotativo do cartão de crédito subiu em fevereiro para 295% ao ano, frente aos 286% de janeiro. Para evitar percentuais tão elevados, os economistas recomendam ao endividado trocar dívidas caras por mais baratas, contraindo linhas como o consignado ou crédito pessoal – isso se o nome não estiver negativado (sob calote), o que exige negociação específica. Neste novo produto dos cartões, a sinalização é de taxas mais atraentes para o consumidor, entre 0,99% e 3,99% ao mês, conforme o banco. Entretanto, o problema é o comportamento do brasileiro que toma crédito. Por exemplo, reportagens relataram a alta inadimplência entre idosos, uma faixa de baixo consumo. Uma análise mais cuidadosa apontou endividamento não com tratamentos médicos caros, como se supôs, mas com recursos do consignado que eram transferidos a filhos e netos no vermelho que depois davam calote nos próprios avós. Há ainda aquele que faz a troca da dívida cara por uma mais barata por mais de uma vez, com vários e parcelamentos do crédito pessoal que consomem o salário. Os juros altos são o grande problema do mercado de crédito do País e os bancos alegam que a inadimplência está por trás dessas taxas. Porém, os balanços das instituições financeiras do ano passado mostraram incrível expurgo do calote de seus resultados, agora compatíveis com os índices do mercado internacional. Mas, a pesquisa mensal do Banco Central revela que as condições do tomador de empréstimos ainda não melhoraram – 42% das famílias brasileiras têm dívidas e 19% da renda delas são voltados ao pagamento desses compromissos. Com percentuais assim, entende se o motivo do consumo não deslanchar. Quem tem dívidas não pode comprar e aquele que está dia evita as lojas com medo de se endividar. Por isso, a recuperação lenta do comércio tende a se manter.