(Agência Brasil) Mais uma vez a equipe econômica prepara um pacote de revisão de gastos. Agora as medidas são gestadas em um contexto de incertezas do mercado financeiro perante o governo, pois o presidente Lula repetidamente dá sinais de preferir subir as receitas do que cortar gastos. Agora, ele tem falado em elevar as alíquotas do Imposto de Renda dos mais ricos para garantir a isenção do tributo até a faixa de R\$ 5 mil, uma promessa de campanha. Porém, não é possível resolver o rombo das contas apenas com aumento de impostos. O problema central está na expansão dos gastos obrigatórios, que são aposentadorias, e nas despesas vinculadas ao salário mínimo, que repercutem na Previdência Social e nos programas sociais. Como a recuperação do piso salarial está na alma do programa eleitoral de Lula, fica difícil esperar que ocorra alguma austeridade por esse lado. O problema é que o mercado dá sinais de que não acredita em pacotes nessa linha, o que tem pressionado os juros futuros, com impacto no custo do crédito. O mais impressionante é que a economia brasileira vai bem, com um dos melhores desempenhos no mundo. O Produto Interno Bruto (PIB) deste ano vai superar 3%, a inflação ainda está viva, porém, rondando o teto da meta do Banco Central, de 4,5% ao ano, e por enquanto não se encontra descontrolada. Além disso, o saldo do comércio exterior está acumulado em US\$ 60 bilhões, o que é impressionante. Há ainda desemprego abaixo de 7% e indústria e varejo aquecidos. Mas tudo isso vem sendo anulado pela deterioração das contas, com mais economistas afirmando que a situação atual está em estágio inicial parecido ao do Governo Dilma Rousseff. Há analistas que acham esse pessimismo exagerado e que ainda é possível corrigir o rumo das contas públicas sem grandes traumas. Enquanto em seus discursos Lula ainda sinaliza com mais gastos públicos pelo lado social – o que é positivo, desde que se tenha recursos para isso – as notícias de bastidores indicam que o presidente tem falado sobre a deterioração das contas com sua equipe econômica. Segundo o jornal Valor, esse pacote, citado como “relevante”, deve sair após o segundo turno das eleições. Seria uma política de Estado e não uma mera tesoura nos gastos, portanto, com regras para este e os próximos governos. Além disso, esse plano mantém o pente-fino nos programas sociais e revisão do abono e seguro-desemprego. Mas o mercado segue desconfiado e parte dele acha que será oportunidade para mexer no recém-nascido arcabouço fiscal. Para dar uma solução às contas públicas, o governo está mergulhado em dificuldades políticas, e o desempenho comedido do PT nas eleições piora isso. A necessidade de gastar menos, contrariando promessas de campanha, é muito clara, algo que fica politicamente mais difícil de ser aplicado conforme se aproxima 2026. Entretanto, não há mistério quando a austeridade é indispensável. Basta apertar o cinto.