Astronautas Reid Wiseman, Jeremy Hansen, Christina Koch e Victor Glover compõem a tripulação da missão Artemis 2 (Nasa/Divulgação) A Missão Artemis 2, que durou nove dias e terminou na última sexta-feira à noite (horário de Brasília), marcou a volta da corrida espacial, lembrando que China e Índia também têm programas lunares ambiciosos. A viagem ao redor da Lua foi uma preparação para o pouso no satélite em 2028. Os chineses pretendem fazer o mesmo, mas em 2030, e os indianos querem realizar voo tripulado em 2040. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Nos três casos, os prazos demorados indicam a importância do planejamento, da persistência e da continuidade para desenvolver pesquisas científicas. É uma lição para o Brasil, principalmente porque China e Índia, poucas décadas atrás, estavam em posição econômica semelhante à do Brasil. O País busca fazer investimentos em lançamentos em Alcântara (MA), o que deve ser incentivado, mas o realiza em meio a retrocessos nas últimas duas décadas, o que desanda a formação de cientistas, fundamental para tal desenvolvimento. Além da importância tecnológi-ca, a Missão Artemis 2 se destacou em duas situações. A primeira por ser muito conectada com as redes sociais, com transmissões pela internet e imagens inéditas da Lua e da própria Terra a partir da órbita do satélite. Além disso, a missão coincidiu com a guerra no Oriente Médio, por enquanto um fracasso político do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, por estar longe de atingir seus objetivos militares. O conflito também impediu a Casa Branca de surfar na íntegra nas atenções positivas com Artemis 2. Trump disse estar orgulhoso da conclusão da missão. “Espero vê-los em breve na Casa Branca. Faremos isso de novo”, postou ele, completando que o “próximo passo será Marte”. Trata-se de mais uma declaração descabida, pois o próximo passo é retornar à própria Lua e desenvolver um extenso e caro programa voltado a foguetes, logística e sobrevivência por muitos meses para chegar ao planeta e mais ainda para conseguir explorá-lo. Isso vai exigir verbas gigantescas, inclusive para padrões americanos, dependendo dos próximos governos, que enfrentarão uma dívida pública inflada pelo próprio Trump. Por isso, não se sabe se, passada a empolgação atual com Artemis 2, se o programa americano manterá ritmo sustentável de desenvolvimento. As dificuldades sempre rondam os programas espaciais, como a explosão do ônibus espacial Columbia em 2003, que matou os tripulantes, atrasando os planos da Nasa. Esses projetos envolvem grandes progressos não apenas na ciência, mas também na esfera militar, e alimentam a propaganda das potências, que querem demonstrar superioridade ao mundo, ressaltando que China e Índia agora substituem a extinta União Soviética. Entretanto, a aventura espacial, por enquanto, não é como as guerras, e pode mostrar que a humanidade consegue superar limites e dar saltos imensos sem precisar ser cruel para isso ou devastar o meio ambiente, ainda que dependa dos combustíveis fósseis.