O avanço da epidemia de coronavírus, que já matou mais de cem pessoas e alcançou quatro dos cinco continentes, causou forte impacto no mercado financeiro na segunda-feira. Os temores de disseminação da doença e seus efeitos econômicos provocaram queda generalizada nas Bolsas de Valores de todo o mundo. No Brasil, o Ibovespa fechou em baixa de 3,3%, o maior recuo desde março de 2019, enquanto o dólar subiu 0,60%, cotado a R\$ 4,21, demonstrando a preocupação dos investidores. Setores de mineração e siderurgia foram bastante afetados, com ações caindo quase 8% na segunda-feira, enquanto a Vale perdeu R\$ 17,4 bilhões em valor de mercado em um dia. As ações da Petrobras, influenciadas pelo preço internacional do barril de petróleo, que caiu abaixo de US\$ 60 pela primeira vez neste ano, também tiveram forte queda, acima de 4%. As ações na China têm sido vigorosas. As autoridades cancelaram em todo o país os eventos de comemoração ao Ano Novo Lunar, e impuseram confinamento sem precedentes a uma população estimada em 50 milhões de pessoas em 17 cidades na região de Wuhan, na província de Hubei. Em Xangai, a capital financeira da China, foi determinado que as empresas não retomem suas atividades antes de 10 de fevereiro, enquanto o polo industrial de Suzhou adiou a volta de milhares de trabalhadores provenientes de outras regiões por uma semana. Ainda é prematuro avaliar os efeitos na economia chinesa, mas a continuidade da epidemia e as restrições de mobilidade urbana irão afetar a produção, com impacto negativo no PIB nacional, que pode chegara a 1,2 ponto percentual, segundo a agência de classificação de risco S&P. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, embora saliente que ainda não se trata de emergência global, admite que isso pode acontecer. Alguns especialistas creem que o número de casos da doença pode ser muito maior do que as autoridades chinesas detectaram ou reconhecem, e que há alto risco do pico da epidemia na China acontecer entre abril e maio, e tornar-se global. É importante a ação firme de controle da epidemia. Sem pânico exagerado, é preciso tomar medidas necessárias para evitar a propagação do coronavírus, e ao mesmo tempo desenvolver rapidamente vacinas que possam resolver o problema. Várias empresas farmacêuticas, com o apoio de universidades, grupos globais de saúde, e dos governos dos Estados Unidos e China, estão se mobilizando nesse sentido. Ainda faltam dados sobre o tamanho do perigo que o coronavírus representa para o mundo, e os governos de todos os países devem estar atentos para os riscos. Uma epidemia global pode significar a perda de milhões de vidas humanas, e impacto muito negativo na economia mundial, que acaba por atingir os mais pobres e vulneráveis.