As dificuldades da gestão petista estão centradas na política, definida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de ampliar o investimento público por meio de mais gastos ( José Cruz/Agência Brasil ) O governo enfrenta dificuldades no Congresso por não ter conseguido eleger a maioria no Legislativo, que além disso é conservador, E para piorar tem uma base infiel. Porém, as dificuldades da gestão petista estão centradas na política, definida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de ampliar o investimento público por meio de mais gastos. Segundo economistas, isso faz a gestão depender de um fator difícil de prever, o aumento das receitas. Isso equivale a passar para toda a sociedade o custo da estratégia lulista. A busca por mais gastos como centro de uma confusão política interminável ficou mais evidente nos últimos dias. Com a missão de buscar receitas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentou restringir o crédito do PIS/Cofins das empresas para compensar a renúncia fiscal com o acordo da desoneração da folha de salários de 17 setores que mais empregam, outro foco de estressante negociação com o empresariado e o Congresso. O setor produtivo se articulou e pressionou o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que devolveu parte da medida provisória do PIS/Cofins, após acerto com Lula e o senador Jaques Wagner (PT-BA). Foi uma derrota humilhante para Haddad. Nesta quarta-feira, ao invés de acalmar os ânimos do mercado, Lula falou em uma conferência que busca o equilíbrio fiscal e melhorar a receita, sem mencionar corte de gastos. O discurso agitou o setor financeiro e o dólar superou R\$ 5,40. Apesar da subida da moeda ter sido atribuída ao presidente, deve-se reconhecer que ontem também pesou a preocupação com os juros americanos, cuja resistência a cair fortalece a moeda no mundo e dificulta o recuo da Selic no Brasil (se os dos juros caírem muito aqui, os investidores levam mais capitais para os EUA, mais seguro e rentável). Ontem, o Federal Reserve (Banco Central americano) manteve estável suas taxas e sinalizou apenas uma queda até o fim do ano. Cortar gastos é a estratégia mais razoável para qualquer família ou empresa que enfrenta dificuldades, antes de se endividar. Com os governos também deveria ser assim. Evidentemente que reduzir despesas tem impacto econômico. Principalmente sobre os mais pobres, pois programas sociais podem perder receitas e obras públicas serem adiadas, o que significa retardar a expansão do mercado de trabalho. Porém, é preciso elencar prioridades e agir com austeridade antes que planos restritivos mais agudos sejam necessários. Um exemplo clássico disso, foi o Governo Dilma Rousseff, que precisou fazer ajustes duros antes de ir para a ruína política. Lula, em seu primeiro mandato, foi pragmático e seguiu as regras de mercado. Agora, quanto mais o presidente resistir a seguir a estratégia que surte mais efeitos, que é apertar o cinto, mais problemas políticos poderá enfrentar. Afinal, a expansão da receita depende de um crescimento mais vigoroso, o que não está previsto no curto prazo.