[[legacy_image_304066]] O maior porto do Hemisfério Sul escoou 27,2% das exportações nacionais de milho, de janeiro a julho, e 36,1% das exportações de soja. Nesse porto, os embarques atingiram no mês 11,6 milhões de toneladas, um crescimento de 8,6%, e no acumulado do ano, 71,7 milhões de toneladas, 2,9% acima do mesmo período de 2022. Mas esse porto superlativo ainda enfrenta problemas estruturais que, de tão enraizados, parecem soar como notícia velha sempre que a imprensa os destaca. O Porto de Santos só tem um acesso à faixa do cais na Margem Direita e dificulta a vida de caminhoneiros com baixa qualidade de seu pavimento, excesso de buracos e sinalização deficiente. Não são só os caminhoneiros que transitam pelas vias portuárias os únicos atingidos pela falta de conservação de ruas e avenidas. Na Margem Direita, em Santos, verdadeiras crateras se formam nas ruas mais próximas ao cais, como a Avenida Augusto Barata, conhecida como Retão da Alemoa. Ali, a chuva intensa provoca alagamentos em alguns trechos, transformando os buracos em armadilhas encobertas pela água, prontas para capturar motociclistas desavisados. A Autoridade Portuária de Santos afirma ter entregue a reforma dessa via em setembro, prevendo uma série de intervenções, como ampliação das faixas de rolamento de quatro para seis, aumento de raio da pista de saída em torno da praça rotatória, troca do pavimento de paralelepípedos para asfalto, novo sistema de iluminação e construção de um canal de drenagem – em substituição à vala que existia antes. O problema é que, como órgão público, a Autoridade Portuária precisa aguardar aprovação da Lei Orçamentária Anual prevendo essas intervenções, e não há previsão de quando isso se dará. Na Margem Esquerda, o quadro é ainda mais desalentador, porque junta-se à falta de manutenção do pavimento a pouca expectativa de que a perimetral seja concluída, obra que tiraria das marginais o movimento intenso dos caminhões que saem da estrada. Além disso, há queixas de assaltos constantes a caminhoneiros que ficam parados em filas de espera para carregar ou descarregar. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a previsão é que em um ano seja lançado o edital para a finalização da Perimetral da Margem Esquerda. Importante destacar que, tanto na Margem Direita como na Esquerda do Porto de Santos, parte da responsabilidade é dos executivos municipais, especialmente nas vias urbanas gravadas como de atividade portuária, e por onde circulam não só caminhoneiros, mas também munícipes. É um contrassenso que o maior porto da América Latina ainda enfrente questões e entraves estruturantes tão básicos, não mais presentes em sistemas portuários muito menos expressivos do Brasil e do mundo. Ampliar sua movimentação e ganhar ainda mais mercados passa, necessariamente, por equacionar, em definitivo, esse conjunto de problemas que em nada combina com o tamanho do Porto de Santos.