(Agência Brasil/EBC) A Norma Regulamentadora 1 (NR-1) está prestes a entrar em uma nova fase, e as empresas brasileiras ainda precisam despertar para isso. Desde sua atualização, ficou claro que a NR-1 não é mais apenas um documento técnico sobre segurança física: ela coloca a saúde mental e os riscos psicossociais no centro do debate sobre ambientes de trabalho saudáveis. A partir de maio, essas mudanças terão efeito pleno, com fiscalização e possibilidade de autuações para quem não estiver em conformidade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A NR-1 reformulada exige que todas as empresas, independentemente de tamanho ou setor, incluam a gestão de riscos psicossociais em seus Programas de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (PGR). Riscos que antes eram tratados como temas “comportamentais” ou periféricos passam a ser obrigações legais, o que inclui fatores como carga excessiva de trabalho, pressão por metas, longas jornadas, assédio moral e relações interpessoais conflituosas, elementos que impactam a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, a norma reafirma que o gerenciamento de riscos deve continuar a abranger os tradicionais riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, com documentação, monitoramento e ações preventivas estruturadas no PGR. Esse pacote joga luz sobre uma necessidade além de conformidade técnica: a construção de ambientes de trabalho mais humanos, conscientes e colaborativos. Há um ponto, porém, que merece atenção especial: a complexidade do novo escopo da norma pode levar a interpretações equivocadas se gestores não estiverem devidamente preparados. Classificar ou rotular relações humanas complexas como “riscos” sem a devida compreensão técnica pode gerar medidas exageradas ou burocráticas que pouco contribuem para a prevenção real de doenças e até prejudicam a dinâmica de trabalho. Por isso, a capacitação de gestores é essencial, para que entendam o que são riscos psicossociais, como identificá-los de forma ética e técnica, como promover mudanças positivas e como equilibrar exigências legais com a realidade corporativa</CW>. O desafio que se impõe, portanto, é duplo: cumprir rigorosamente as obrigações da NR-1 e, ao mesmo tempo, encontrar o ponto de equilíbrio entre prevenção legal e sensibilidade humana. Nem uma aplicação rígida e puramente normativa, que transforme a saúde mental em uma lista burocrática de itens a cumprir; nem uma interpretação frouxa ou complacente, que deixe de proteger trabalhadores vulneráveis e ignore a dinâmica de sofrimento que muitos enfrentam no ambiente de trabalho. Colocar a saúde mental no mesmo patamar de importância que a segurança física nas empresas pode significar menos absenteísmo, menor rotatividade, mais eficiência e melhor qualidade de vida para milhões de trabalhadores. Mas para que essa oportunidade se concretize sem distorções, a preparação técnica e humana dos gestores precisa ser levada tão a sério quanto o cumprimento da lei.