Consultoria apontou que 86% das construtoras planejam comprar terrenos e 93% farão lançamentos. (Alexsander Ferraz/AT) Pesquisas de entidades como a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Confederação Nacional da Indústria (CNI), assim como da auditoria Deloitte, entre outros levantamentos, apontam momento mais positivo para a construção civil. Esses dados foram discutidos no Summit da Construção Civil, evento do Grupo Tribuna realizado na última segunda-feira, aprofundado no caderno publicado ontem. O setor ainda tem muito a avançar, mas já se sustenta sobre pilares bem definidos. Um deles: a renda dos brasileiros melhorou, principalmente com a queda do desemprego, de 6,8%, o menor nível desde 2014, o que gera confiança para o trabalhador tomar crédito por um período longo. São sinais que deixam as empresas ficam mais dispostas a investir. A Deloitte apontou que 86% das construtoras planejam comprar terrenos e 93% farão lançamentos. No ano passado, os analistas do mercado previam que neste ano o Produto Interno Bruto (PIB) cresceria menos de 1%, estimativa que foi recalibrada, pois o País avança a um ritmo acima de 2% e há economistas de instituições conceituadas, inclusive do segmento de crédito, que esperam pelo menos 3%. Outro ponto importante para esse clima positivo da construção foi a queda dos juros básicos, de 13,75% em 2020 para atuais 10,5%. O recuo de 3,25% favoreceu o mutuário, que pode contar com prestações mais baixas. Porém, o patamar de dois dígitos é muito pesado e precisa ser reduzido, algo que não está no horizonte. O Banco Central pode até subir a taxa Selic no próximo dia 18 para controlar a inflação dos serviços, o que esfria um pouco o ânimo no lado financeiro, mas que não apaga totalmente as possibilidades de crescimento do setor. Os economistas afirmam que se essa alta da Selic ocorrer, não deverá ser para mais de 12% e nem tão demorada. Alguns afirmam que recuaria no médio prazo para 8%, aposta ainda difícil, considerando um país de economia tão imprevisível. Mas construtores experientes lembram que o setor já avançou antes com Selic de dois dígitos. Contudo, tanto o setor imobiliário como os demais dependem de um governo mais austero para que as dinâmicas de crescimento se tornem sustentáveis. Isso beneficiaria o programa Minha Casa, Minha Vida, que no segundo trimestre produziu 159 mil moradias. É um número respeitável, mas ainda aquém das necessidades, pois o déficit habitacional é estimado em 6 milhões de unidades no País por algumas pesquisas. O problema é que o Minha Casa, Minha Vida já foi desacelerado há uma década por restrições orçamentárias – agora é considerado o motor da construção habitacional. Porém, sua consolidação exige contas públicas em ordem, o que deve ser exigido do Governo Lula, pois a mais beneficiada será a própria baixa renda, que a gestão atual tanto diz dar prioridade. Com o déficit das contas públicas de 78,5% do PIB, tudo ficará mais difícil.