[[legacy_image_229022]] A construção civil aposta em um crescimento mais vigoroso a partir do segundo semestre do próximo ano, conforme representantes do setor afirmaram para A Tribuna na edição do último domingo (11). Taxas de juros menos salgadas e linhas de crédito habitacional com recursos suficientes para atender uma forte demanda são essenciais para o aquecimento do setor. Também é fundamental que o novo governo atenda as necessidades da baixa renda, o que é um desafio, pois compreende injeção de recursos públicos por meio de subsídios. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Como os financiamentos são de longo prazo, a confiança, tanto por parte do mutuário como pelo sistema bancário e as construtoras, depende da seriedade e da abrangência dos programas habitacionais para as diferentes classes de renda. O comprador depende de um mínimo da estabilidade para tomar crédito, e isso envolve um mercado de trabalho em expansão, e os bancos buscam baixo índice de inadimplência, com a construção avançando em um mercado bem engrenado. Isso porque as empresas do setor assumem alto risco ao fazer lançamentos, que levam de três a cinco anos (desde a compra do terreno até a conclusão da obra) para sair do papel. Entretanto, é necessário que fatores macroeconômicos colaborem, principalmente os juros básicos. O financiamento de longo prazo depende que a Selic caia dos níveis atuais, de 13,75% ao ano. Com taxas mais baixas, o mutuário terá prestações mais em conta e os bancos ficam mais dispostos a fornecer crédito imobiliário, até porque o risco de inadimplência será bem menor. Com um ritmo aquecido, o sistema habitacional e a construção atraem mais recursos, lembrando que o financiamento, antes concentrado na Caixa, também tem uma participação importante das instituições privadas. A expectativa, com o arrefecimento da inflação, é que o BC comece a cortar a Selic até meados de 2023, entretanto, a Autoridade Monetária está de olho no gasto público do novo governo e no próprio contexto mundial, com muita inflação e guerra da Ucrânia pressionando os preços de algumas commodities. Dessa forma, é muito importante que a gestão do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva seja austera, que cumpra seus programas sociais, mas que tenha muito cuidado com as contas federais e eventuais medidas que poderão ser adotadas para estimular a construção e a própria economia. Se o novo governo também pretende melhorar a oferta de emprego, o setor da construção é um dos principais geradores de vagas, de grande efeito social pela criação de empregos para trabalhadores de baixa renda. Há ainda o outro lado da construção, que é voltado às obras de infraestrutura, como estradas, saneamento, portos e empreendimentos do setor de energia. As oportunidades são imensas para as empresas e trabalhadores, mas tudo depende do País ter condições para acelerar seu ritmo de crescimento.