O aumento do número de passageiros da segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), desde a implantação, em 11 de maio, do horário integral de funcionamento, é mais um passo para a consolidação desse meio de transporte em Santos. Com a ampliação do trecho entre as estações Conselheiro Nébias e Valongo, o sistema agora transporta 35 mil passageiros diários, segundo a BR Mobilidade. A operação ainda não conta com cobrança de passagens, até porque as obras não foram totalmente concluídas. Falta a instalação das portas das plataformas, que obrigam o acesso pelas catracas e dão segurança no embarque, instalação prevista para começar no próximo mês. A expansão desse modal em Santos poderia ter avançado muito mais se não fossem os contínuos atrasos desde as obras, mas passada a fase da implantação física, a expectativa é de crescimento contínuo da frequência ao sistema. A expansão do VLT, associada a contínuas melhorias urbanas, é fundamental para a retomada do desenvolvimento da região central santista. O Centro de Santos poderá atrair mais consumidores, assim como avançar em outras frentes, como o turismo e as festas e demais eventos que têm registrado bom público nos últimos anos. A principal vantagem do VLT é a qualidade do serviço prestado à população, com um maior conforto e estações, que, quando isoladas com as portas, darão mais segurança aos passageiros, inclusive contra assaltos. Não se deve esquecer que o transporte público por trilhos é a melhor solução para o desenvolvimento de cidades médias e grandes, tanto para desafogar o trânsito como para reduzir a poluição e investir na sustentabilidade. Aliás, o Brasil errou no século passado ao investir pouco nesse modal, dando preferência ao rodoviário, que sofre a cada crise no Oriente Médio com o aumento do preço do barril de petróleo. Países ricos e em desenvolvimento mantiveram o foco nos trens, mas o Brasil, com sua dimensão continental, contrariou a experiência mundial. Hoje, nota-se uma retomada do investimento para o transporte de passageiros por trilhos na região urbana e, em menor intensidade, entre capitais e centros regionais. Também há um avanço no segmento de cargas, mas os projetos seguem aquém das necessidades do País. Infelizmente, o Brasil tem apresentado profundas dificuldades para desenvolver sua infraestrutura, na qual se insere o transporte de passageiros por trilhos. O setor público, com seu orçamento restrito, perdeu sua capacidade de investimento, o que abriu espaço nos últimos anos para a participação da iniciativa privada. Porém, os processos de concessão são muito demorados, prolongados por meio de disputas na Justiça, e as obras enfrentam uma epidemia de atrasos, o que as expõe ao aumento do custo e até paralisações por falta de dinheiro. Por isso, o Brasil perdeu a corrida para a China e a Índia na modernização da economia e ainda não descobriu como ser mais eficiente com esses projetos.