(Divulgação) A retaliação do Governo Lula ao até então aliado regime de Daniel Ortega veio na medida certa, ainda que não tenha ocorrido uma condenação veemente ao autoritarismo que hoje controla a Nicarágua. Afinal, o Itamaraty alegou que a expulsão da embaixadora Fulvia Patricia Castro Matu, após o mesmo ter sido feito com o brasileiro Breno Souza da Costa em Manágua, se deveu ao princípio da “reciprocidade”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De qualquer forma, um rompimento, cobrado pelos radicais, não é a principal saída. Isolamentos tendem a deixar o terreno livre para que autocratas ampliem o aparelhamento de suas instituições para subjugar a população. A briga teve seu estopim com a ausência do embaixador brasileira na celebração dos 45 anos da Revolução Sandinista. Ou o regime da Nicarágua estava aguardando a oportunidade para pressionar o Brasil ou foi algo encadeado com a Venezuela, aliado de Manágua e que tem enfrentado cobranças de Lula (mas não do PT, que endossou a reeleição de Nicolás Maduro, apesar das denúncias de fraude). O fato é que os sandinistas e Lula, também um aliado de longa data, estavam se estranhando sem isso ser notado no Brasil. O governo nicaraguense se irritou em duas ocasiões, indicando seu elevado nível autoritário. Lula se ofereceu para abrigar opositores detidos desde os protestos de 2018 e, a pedido do papa Francisco, tentou intermediar uma solução para a condenação do bispo Rolando Álvarez. O clero da Nicarágua se opôs a Ortega e Alvarez recusou a oferta dada a ele – ir embora do país – permanecendo sob prisão domiciliar. Ortega preenche o ideário da esquerda tradicional, de enfrentamento à influência americana na Guerra Fria, que apoiou regimes bárbaros na América Latina, como o da família Somoza, derrubado pela Revolução Sandinista. Observadores internacionais afirmam que na Nicarágua não há liberdade de imprensa nem oposição livre. Isso é típico de ditaduras e não interessa se o regime é de esquerda ou de direita. Paralelamente, o Governo Lula está envolvido em outra confusão regional, que é chegar a um desfecho democrático na Venezuela. O Brasil e outros países sobre gestão da esquerda, México e Colômbia, cobram as atas da eleição. Elas não foram expostas até agora, enquanto a oposição diz ter cópias que comprovam sua vitória. Na quinta-feira, o chanceler Celso Amorim, ao mesmo tempo que admitiu que sem a apresentação dessa documentação não há solução, também disse que não dá para decidir apenas com base nas atas da oposição. A opositora Maria Corina Machado ofereceu ontem uma “transição negociada” e anistia a Maduro, que repetiu pedindo que ela se entregue à Justiça, controlada pelo chavismo. Tudo indica que Maduro não tem a mínima intenção de ceder e que a diplomacia bem-intencionada e até correta dos países vizinhos não surtirá efeito por enquanto. Espera-se que uma solução pacífica seja encontrada.