( Marcello Casal Jr/Agência Brasil) A crise do petróleo nos anos 1970 provou que a disponibilidade de energia dita o rumo não só das economias, como também da geopolítica. Na época, no Brasil, suas reservas insuficientes, entre outros motivos, levaram o País à inflação e a uma inflação sem fim, acelerando o fim da ditadura. Pela segurança energética, os governos buscaram fontes alternativas, como o etanol, no Brasil, e a nuclear no Hemisfério Norte. O impacto ambiental dos combustíveis fósseis exigiu mais investimentos, e a invasão da Ucrânia escancarou a dependência dos europeus do gás russo. Agora, a ascensão da inteligência artificial faz as potências e os emergentes dependerem estrategicamente da oferta de energia. Mas, apesar de estar atrasado na disputa tecnológica, o Brasil segue bem situado frente a essas necessidades do mundo avançado. Ao mesmo tempo em que o País possui reservas de minerais críticos e terras raras, essenciais para indústrias da defesa, eletrônica e aeroespacial, tem enorme potencial de energia limpa. A uma velocidade impressionante, o Brasil investiu nas matrizes eólica (vento) e fotovoltaica (solar) e em biocombustíveis. Inovações surgem nesse campo a todo tempo – é o caso de Itaipu Binacional, que vai testar uma usina solar flutuante em seu reservatório. O que se tem hoje até é um excesso de produção por fontes limpas, gerando oscilações de preços, por exemplo, no horário do almoço, quando há baixo consumo no pico da produção ao meio-dia, e queda de oferta no fim da tarde, justamente quando se usa muito mais eletricidade. Entretanto, como há uma diversificação energética rara no mundo, com usinas hidrelétricas e a diesel, petróleo, biocombustíveis e fazendas solares e eólicas, a segurança de abastecimento garante ao Brasil uma competitividade indiscutível. Isso porque esse excesso torna o País atraente para investimentos relacionados à inteligência artificial e dados em nuvem. O governo, por meio do recém-criado programa Redata, oferece estímulos para a instalação de data centers, que armazenam e processam dados para esses segmentos. O Ceará, rico em fontes eólicas, espera atrair R\$ 50 bilhões desses setores, que já têm investimentos programados para Maringá (PR) e Uberlândia (MG). Hoje já há 188 data centers no País, mas todos de nuvem. Por dependerem de refrigeração constante, consomem muita água e energia, apesar de haver projetos que prometam economia no uso. O impacto ambiental é inegável e ameaçador, podendo atingir a população local. Há ainda o risco de uma neocolonização econômica, com esses centros abastecendo apenas as grandes companhias internacionais, sem trazer conhecimento tecnológico ao País. Há a oportunidade de uma nova expansão econômica ao País, que exige novas leis, em um movimento preocupado em potencializar as vantagens energéticas do País. Tudo isso em benefício dos brasileiros, que não podem ser prejudicados por interesses das grandes companhias.