[[legacy_image_201906]] Durante o auge da pandemia, com as restrições à mobilidade, o comércio on-line cresceu em alguns meses o que se esperava para alguns anos. Entretanto, ficou a dúvida sobre qual seria o impacto no varejo físico após a fase mais crítica. Agora, com a reabertura da economia, um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta tendências de forma mais clara. Segundo a pesquisa, onde há muito trabalho em home office, como nas duas grandes metrópoles, em São Paulo e no Rio de Janeiro, as vendas das lojas tradicionais ainda não se recuperaram em relação ao período pré-pandemia. O mesmo vale para a circulação de consumidores, que está 12% menor na Capital e 9% menos no Rio na mesma base de comparação. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Mas em regiões onde o trabalho remoto é menos comum, as vendas do varejo tradicional já superaram as de fevereiro de 2020. É o caso da Região Norte. No Pará, o crescimento de junho último foi de 15,7%. O economista responsável pelo estudo da CNC, Fábio Bentes, considera que, onde o comércio eletrônico tem pouco impacto, a transferência de renda (como FGTS, 13o. e auxílio) feita pelo Governo vai direto para as lojas populares nos estados com poder aquisitivo menor. Nas regiões mais ricas, essa injeção de dinheiro público acaba se diluindo. Ao invés de preocupação, o setor pode observar esse estudo como forma de inovar e sobreviver ao on-line. Segundo consultores, uma das possibilidades é também investir em loja virtual ou participar de um marketplace, alcançando todo o País. Há ainda a chance de vender para as redondezas por meio de aplicativos ou Whatsapp. A pesquisa da CNC aponta ainda que o trabalho remoto reduziu a circulação de consumidores no centro das capitais. Por isso, nessas áreas é necessário investir em showroom e cobrar dos prefeitos melhorias na infraestrutura para atrair a clientela e exigir mais segurança por parte do Estado. A expansão do comércio eletrônico não vai impedir o segmento físico de ampliar suas vendas, até porque não há uma transição instantânea para o digital. Porém, o problema mais imediato é a condição macroeconômica do País, com juros muito altos, inflação e geração de emprego com salários baixos. O economista especializado em comércio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Rodolpho Tobler acredita que esses fatores deverão esfriar o consumo no fim deste trimestre. O segundo entrave é a inadimplência. Neste semestre, mais 4,6 milhões de consumidores não conseguiram pagar suas contas, chegando ao acumulado de 66,8 milhões de inadimplentes. São dívidas com financeiras, bancos, cartões de crédito e também com serviços básicos, como água e luz, e varejo. Por isso, a expectativa para uma recuperação é muito difícil, mas se a inflação se acalmar e o contexto internacional ajudar, a melhora deverá aparecer no horizonte mesmo que no médio prazo.