(Vanessa Rodrigues/AT) As urnas deste domingo encerraram uma eleição e, ao mesmo tempo, abriram outra. A disputa pela Presidência da República seguirá para o segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), depois de uma apuração que confirmou o grau de divisão do eleitorado brasileiro. Pouco mais de 2 milhões de votos: essa foi a diferença entre os dois candidatos, com Flávio na liderança. A diferença é relevante, mas insuficiente para encerrar a disputa ou dar pistas de qualquer prognóstico para o segundo turno, no dia 25. A partir de agora, os dois candidatos terão três semanas para conquistar os eleitores que fizeram outras escolhas, convencer indecisos e, sobretudo, reduzir rejeições. Em um País novamente dividido entre dois polos, será desejável que o segundo turno ofereça mais debate sobre propostas e menos confronto pessoal. Em São Paulo, a grande surpresa veio da dimensão da vitória de Tarcísio de Freitas. O governador não apenas conquistou a reeleição como liquidou a disputa no primeiro turno, com 62,6% dos votos válidos, mais de 14,4 milhões de votos, contra 36,4% de Fernando Haddad. Em 2022, os mesmos adversários disputaram dois turnos. Para a Baixada Santista, o resultado deixa uma leitura de contrastes. A região chegou às urnas depois de alcançar, em 2022, sua maior representação parlamentar neste século: nove deputados, quatro federais e cinco estaduais. Agora, perde força em Brasília, mas amplia seu peso na Assembleia Legislativa. É uma mudança que precisa ser observada não apenas pela quantidade de cadeiras, mas pela capacidade de transformá-las em influência política e resultados concretos para os nove municípios. E é justamente da Baixada que surge um dos fenômenos desta eleição paulista. Aos 23 anos, Eduarda Campopiano (PL), vereadora de Praia Grande, saltou em menos de dois anos do Legislativo municipal para a condição de deputada estadual mais votada de São Paulo. Com quase 2 milhões de votos, alcançou uma dimensão que ultrapassa largamente as fronteiras da região e a coloca, desde já, como uma das novas lideranças políticas de maior expressão do Estado. Para uma região com 1,44 milhão de eleitores, ou 4,24% do eleitorado paulista, representação política não é questão menor. A Baixada reúne o maior porto da América Latina, projetos bilionários de infraestrutura, desafios metropolitanos de mobilidade, habitação, saúde e saneamento e uma economia estratégica para São Paulo e para o País. Paulo Alexandre Barbosa (PSD) e Rosana Valle (PL) terão, mais do que nunca, que manter essa relevância em evidência na Capital Federal, ainda mais em um cenário político bastante dividido. A eleição termina para alguns cargos, continua para a Presidência e deixa uma responsabilidade comum aos vencedores. Votos expressivos produzem força política, mas também aumentam a cobrança. À Baixada Santista interessa menos a celebração dos números do que aquilo que seus representantes serão capazes de fazer com eles.