Rogério Santos (Republicanos) e Rosana Valle (PL) vão para o segundo turno em Santos (Alexsander Ferraz/AT) Todo ano eleitoral, especialmente quando os cargos em jogo são para executivos e legislativos municipais, muitas análises comportamentais e sociológicas se põem na pauta: os resultados indicam tendência à esquerda? À direita? Apontam para apostas em nomes novos e fora da política tradicional? O debate em torno desses resultados é a maneira mais inteligente e assertiva de aprimorar a democracia, tentando extrair dos dados oficiais uma leitura mais próxima das interfaces internas e externas à política que afetam diretamente as escolhas. Para os candidatos, material farto para traçar estratégias. Em clima tranquilo e com apuração rápida por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a eleição nos nove municípios da região trouxe um cenário diferente de anos eleitorais anteriores. Pela primeira vez em duas décadas, Santos terá segundo turno, com os candidatos Rogério Santos (Republicanos), atual prefeito, e Rosana Valle (PL), deputada federal que tenta chegar ao Palácio José Bonifácio pela primeira vez. Dada a diferença de 1.500 votos entre eles, é possível deduzir que o discurso de ambos, assim como o pacote de propostas e estratégias, se alinham às expectativas dos santistas. A disputa, agora, será pelos votos da candidata Telma de Souza (PT), que fechou sua campanha com 31 mil votos. A partir do dia 11, recomeça a propaganda eleitoral gratuita, oportunidade em que os eleitores poderão refinar a atenção e aprofundar as pesquisas sobre cada um dos postulantes. A leitura dos dados também aponta para um desejo de mudança no legislativo santista. Das 21 cadeiras, oito serão ocupadas por nomes novos, e um ponto de atenção a destacar: a perda de representatividade feminina, de três para apenas duas cadeiras. Guarujá também enfrentará segundo turno, com os candidatos Farid Madi (Pode), que tenta retornar ao comando do município, e Raphael Vitiello (PP), atualmente vereador, que disputa pela primeira vez o cargo de prefeito. A partir de agora, estão em jogo os mais de 53 mil votos distribuídos entre os demais sete candidatos. Para nenhum dos dois candidatos que seguem para o segundo turno há certeza de transferência de votos apenas por conta de apoios e acordos partidários, mas é fato que cada um desses eleitores será fortemente disputado com novas narrativas. Importante destacar a reeleição com larga vantagem do prefeito Kayo Amado (Pode), com mais de 87% dos votos, e a volta do hoje deputado federal Alberto Mourão (MDB) à Prefeitura de Praia Grande, para seu sexto mandato à frente do executivo. Para ambos, o desafio é avançar com políticas públicas que atendam às demandas sociais e econômicas e, especialmente em São Vicente, devolver a relevância que o município já deteve em passado distante. Parte da configuração regional está posta. A partir de agora, as atenções se voltam para Santos e Guarujá, onde se espera que a disputa siga com propostas claras e alto nível de debate de ideias.