[[legacy_image_301100]] Pressionado pela sociedade, impactada pelo que tem visto na mídia nos últimos meses, o Governo Federal lança hoje um plano que prevê quase R\$ 900 milhões para o combate a organizações criminosas. O Programa Nacional de Enfrentamento a Organizações Criminosas (Enfoc) terá cinco eixos: integração institucional e informacional; eficiência dos órgãos policiais; portos, aeroportos, fronteiras e divisas; eficiência da Justiça Criminal; e cooperação entre União, estados e municípios. Ainda reverberam na imprensa as imagens fortes reveladas pelo Fantástico (TV Globo) há uma semana, em que facções criminosas faziam treinamento de guerrilha em uma quadra esportiva no Complexo da Maré, zona norte carioca. Além disso, nas últimas semanas, a crise na segurança pública da Bahia, onde operações policiais deixaram mais de 60 mortos só em setembro, empurram para baixo a popularidade do presidente e seu governo. A segurança é a área temática do Governo Federal com pior avaliação entre os eleitores, segundo pesquisa de final de setembro do Instituto Atlas. Apesar da segurança ser prioritariamente uma competência dos estados, há o entendimento de que o combate às facções precisa do empenho forte da União. Muito embora o Rio de Janeiro e a Bahia tenham sido o fator preponderante para uma tomada de atitude por parte do Governo Lula, é preciso inserir outros cenários críticos Brasil afora, como a Baixada Santista, que vem vivenciando o recrudescimento dos confrontos entre a polícia e os grupos de criminosos instalados em comunidades pobres da região. Não por outro motivo, a Secretaria de Estado da Segurança Pública desencadeou na Baixada a Operação Escudo, que começou por Guarujá e se estende agora por São Vicente. Em evento recente promovido pelo Grupo Tribuna, representantes do Estado foram claros quanto à presença dessas facções na região, basicamente por conta do interesse na recepção e escoamento de drogas para o tráfico internacional pelo Porto de Santos. No plano a ser anunciado hoje, a avaliação é de que os terminais marítimos ainda têm a melhorar na fiscalização e ações com uso de mais tecnologia para detecção de drogas serão desencadeadas. É bem-vinda a iniciativa da União em dar foco nesse movimento, que cresce para além das fronteiras cariocas e baianas. No entanto, nem só de dinheiro depende o sucesso do plano. É sabido que o crime organizado tem seus tentáculos instalados também em alguns setores dos executivos e legislativos, inclusive com financiamento de campanhas eleitorais. Será preciso, então, entender esse fluxo e identificar seus atores, com a parceria firme do Judiciário para que não prescinda do rigor da lei. Além disso, um plano dessa envergadura não pode ficar refém de falta de recursos ou de vontade política. Qualquer esmorecimento será interpretado como vitória do campo oposto.