(Rovena Rosa/Agência Brasil) O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) age corretamente ao admitir que tinha “visão equivocada” sobre câmeras corporais após sequência de casos de violência envolvendo policiais. Um dos mais graves foi o do PM que jogou um homem de uma ponte na Capital, após abordagem. Em Santos, um menino de quatro anos morreu baleado durante operação, em São Paulo um PM de folga matou um homem negro que furtou produtos num minimercado, e na última quarta-feira PMs agrediram uma idosa e parentes dela em Barueri. Além disso, conforme o portal UOL, com base em dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), de 580 mortes provocadas por policiais este ano, 552 foram atribuídas a PMs. Uma sequência de casos que são nitidamente abusos e um número tão assustador de mortes resultantes das ações policiais são inadmissíveis. Essas situações poderiam ter sido evitadas a partir da gestão das corporações e do governador, que precisa sinalizar com veemência que irregularidades e violência desmedida são incompatíveis com as forças da segurança pública. O governador endossou o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, alegando que não tem sentido demiti-lo em situação de crise como agora. Tarcísio alegou que as estatísticas mostram queda da violência, algo que pode estar relacionado à firmeza das polícias, mas também à melhora do mercado de trabalho. Apenas estudos aprofundados poderão comprovar os motivos. Pelo menos o Estado reagiu aos abusos e o PM que jogou um motociclista de aplicativo pela ponte foi preso – Tarcísio disse que esse agente deve ser expulso da corporação. O outro policial, da ação no minimercado, também foi detido, e 12 PMs foram afastados no caso da idosa em Barueri. Agora, falta saber como a SSP vai expandir o uso das câmeras corporais. Essa medida deveria ter sido adotada de forma ampla há muito tempo, pois as gravações protegem a ação policial, fundamentando decisões dos juízes. Não basta apenas distribuir o dispositivo, pois a utilização precisa ser correta e não apenas para satisfazer as cobranças. Os equipamentos novos em São Paulo permitem que o usuário inicie e interrompa a gravação, o que na prática anula o objetivo da medida. Segundo o governador, elas serão substituídas pelas que têm controle remoto, obviamente a melhor solução. A insegurança é tema prioritário no País, não resolvido ao longo de décadas, e que ainda não uniu as correntes políticas. Uma parte defende investir em educação e nas periferias, e outra pede mais rigor na ação policial e legislação rigorosa. As duas posições precisam ser integradas, mas com os policiais estritamente fiéis a protocolos e devidamente treinados, como nas situações de estresse ou provocação. Já passou da hora dos políticos se unirem e não tratarem esse tema apenas com viés eleitoral, com plano devidamente discutido, revisão das leis e metas a cumprir ao longo dos anos.