(Reprodução/X) O crescimento do candidato ultraconservador Abelardo de la Espriella na reta final da eleição presidencial colombiana confirma a onda direitista que varre a América Latina. Ele ainda terá que derrotar o esquerdista Iván Cepeda no próximo dia 21, mas será difícil de ser batido, exceto se o aliado do presidente Gustavo Petro conseguir virar o jogo com uma campanha excepcional. Na França, em julho de 2024, esquerda e centro-direita colaram no eleitorado um medo sobre o que a extrema direita poderia realizar no poder, conseguindo derrotá-la. Espriella teve 43% dos votos no último domingo, contra os 40% de Cepeda. A candidata da direita tradicional, Paloma Laserva, registrou apenas 6%, bem abaixo do que as pesquisas indicavam, o que pode ser resultado da migração de seu eleitorado para Espriella. A votação dele surpreendeu, pois se esperava que ficaria em segundo. Se Espriella for eleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a mexicana Claudia Sheinbaum ficarão ainda mais isolados na América Latina. A guinada à direita daria mais impulso à influência de Donald Trump na região, cuja política é contestada exatamente por Lula e Sheinbaum. Em relação ao Brasil, os EUA tentam impor um acordo comercial que desfavorece o País e ingerir nas políticas internas de segurança por meio da classificação do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas sem sequer negociar uma parceria de combate nessa área. Em sua campanha, Espriella propôs construir megaprisões, como em El Salvador, abandonar organismos multilaterais, como as Nações Unidas, e partir para o confronto militar contra o narcotráfico, os paramilitares e os dissidentes da extrema esquerda. Neste último caso, trata-se de uma política oposta à de Cepeda, cujo pai foi assassinado por policiais ligados a paramilitares e, assim como Petro, trabalhou por um acordo de paz, que não é consenso na Colômbia. Porém, não está claro se o Exército apoiaria por completo essa espécie de guerra interna e há dúvidas se a iniciativa salvadorenha teria sucesso na Colômbia, onde a criminalidade é altamente organizada e financiada pela maior produção mundial de cocaína. Politicamente, uma vitória de Espriella atinge Lula, pois a extrema direita está muito conectada entre os países. Assim como esses novos governos, inclusive os de conservadores de partidos tradicionais, são adesistas a Trump, eles também trocam apoios regionalmente. O equatoriano Daniel Noboa fez videoconferência com Espriella, prometendo revogar tarifas que impôs sobre produtos colombianos. Por outro lado, a promessa de Espriella de endurecer contra o crime pressiona a campanha de Lula, que tem dificuldades para mostrar resultados na área de segurança, tema que é muito explorado pela extrema direita brasileira. O petista está à frente nas pesquisas, mas não há como ignorar as tendências na região, indicando que a disputa no Brasil será muito mais dura do que se imagina.