A Secretaria de Cultura de Santos reconheceu a precária condição do Teatro Coliseu e será preciso fechar o equipamento no segundo semestre para promover as reformas necessárias. Há problema, porém, para o custeio das obras, uma vez que o convênio com o Departamento de Apoio ao Desenvolvimento Turístico (Dadetur), que destinaria recursos para essa finalidade, foi cancelado em janeiro último. As intervenções são urgentes: parte do revestimento externo do prédio, ao longo da Rua Braz Cubas, caiu há algum tempo e a calçada segue interditada. Esta não é, entretanto, a única obra prevista: o projeto total, orçado em R\$ 6,3 milhões, prevê ainda a troca do telhado e das esquadrias externas, a pintura do prédio anexo, a atualização do sistema de para-raios e a modernização do sistema de iluminação cênica, além de reparos no palco. É louvável que a prefeitura se preocupe com a reforma, com a garantia que, independentemente da suspensão dos recursos do Dadetur, as obras irão acontecer. O Teatro Coliseu é patrimônio histórico da cidade e da região, e vem cumprindo, desde sua reinauguração em 2006, importante função cultural que precisa continuar e ser ampliada. Mas é preciso buscar formas concretas de manter o imóvel nos próximos anos, evitando-se sua deterioração progressiva. Trata-se de edifício construído em 1924, que exige, portanto, cuidados especiais com sua manutenção. Destaque-se o grande investimento realizado - a reforma consumiu dez anos - e logo em seguida os problemas começaram a surgir. Em 2013, o Coliseu passou por um ano de novas reformas, orçadas em R\$ 2 milhões. Maior teatro da cidade, com capacidade para 1.000 pessoas, o espaço exige atenção. Se não for alterada a forma de gestão do equipamento, os problemas se tornarão crônicos, mesmo com a realização da intervenção prometida para o segundo semestre de 2019. A manutenção é essencial em qualquer edifício, e exige ações imediatas. O conserto de entupimento em calha ou condutor de águas pluviais é simples, fácil e barato, mas se não for realizado rapidamente pode comprometer telhados e forros. A prefeitura deve buscar formas alternativas de gestão do Coliseu, tanto da estrutura física como da programação cultural e artística. O modelo das organizações sociais (OSs) - entidades sem fins lucrativos que administram os equipamentos - é largamente utilizado na área cultural do estado. A Pinacoteca do Estado, a Sala São Paulo e o Museu do Futebol são administrados por OSs. A experiência de sucesso do Instituto de Preservação e Difusão da História do Café e da Imigração, responsável pela gestão do Museu do Café, em Santos, e do Museu da Imigração, em São Paulo, demonstra a viabilidade dessa forma de administrar, que deveria ser estendida aos teatros santistas.