(Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) O crescimento de Praia Grande, tanto em população como na verticalização, tem relação com um investimento contínuo em sua infraestrutura, que remonta pelo menos aos anos 1990, e na busca da eficiência em sua vocação econômica, o turismo. Também colaborou a urbanização mais recente, reduzindo os custos dos projetos públicos e privados. O espaço amplo para se expandir e preços atraentes para quem constrói ou compra moradia completam as vantagens da cidade para um longo processo de prosperidade. Com esse quadro, Praia Grande alterou seu perfil exclusivamente de veraneio para o de moradia, sem abdicar da temporada, que atraiu estimados 1,5 milhão de turistas entre o Natal e Ano-Novo, conforme A Tribuna publicou nesta quinta (13). A fixação de moradia em Praia Grande trouxe empresas e prestadores de serviços, gerando emprego e arrecadação de impostos. Com o consumo fortalecido, a receita tributária se diversificou, não apenas com o IPTU, mas também com o ICMS. Aliás, por sua extensa produção imobiliária, a cidade está entre os municípios do País que mais arrecadam IPTU. Não apenas na Baixada Santista, mas em outras regiões metropolitanas do País, em geral, a “cidade-sede” que originou essa aglomeração passou a crescer menos ou até a perder população por falta de espaço e alto custo de vida. Entretanto, o entorno cresceu rapidamente, como São José dos Pinhais, vizinha de Curitiba, Ananindeua, junto a Belém, Ribeirão das Neves, no caso de Belo Horizonte, e Camaçari e Lauro de Freitas, com Salvador. Essa expansão pode se dar com a atração de indústrias e a vocação de cidade-dormitório, o que na prática vira um problema por obrigar o transporte diário de milhões de moradores para grandes distâncias. A habitação também tende a se tornar outra falha nesse processo migratório, com a ocupação de encostas ou várzeas sujeitas a tragédias com as chuvas intensas. Praia Grande tem problemas como qualquer outra cidade que cresce rapidamente, pois o investimento cada vez mais pesado em habitação, saúde e educação impõe um planejamento desafiador ao poder público. Essa expansão também traz transformações de todo tipo pelas mudanças e necessidades dos novos moradores, que vêm de regiões com outros costumes e perfis socioeconômicos. Poucos municípios passam por esses momentos favoráveis que podem transformá-los em novos polos de desenvolvimento, enquanto outros deixam passar tais oportunidades, sendo lembrados como locais que antes tiveram uma comunidade próspera e uma crescente classe média – que acabaram indo embora. O lucro é bem-vindo, mas as cidades precisam discutir o que querem para o futuro e o que precisam melhorar para atrair negócios e receitas para sustentar as melhorias necessárias. A receita não é a mesma para todas, mas o cuidado com educação, saúde, segurança, limpeza e meio ambiente é fundamental para qualquer município seguir adiante.